LUIZ GERALDO MAZZA
Paranaguá rebelada
Quem lembra do episódio da arregimentação contra Collor pode fazer analogia com o que se dá com Paranaguá. Não há uma só força do trabalho, do capital, da comunidade que não esteja arregimentada em defesa do terminal submetido à sua maior crise, superior mesmo aquele incêndio que tomou conta de quase todas as instalações e que levou mais de uma semana para ser extinto. O governador, bem ao seu estilo, não reconhece a procedência dos protestos e é nesse sentido que parece lembrar o convite de Collor para que seus adeptos saíssem de luto e todo o mundo deu a resposta vestindo o verde-amarelo da bandeira.
Todos reconhecem uma peculiaridade em Requião: a de crescer tanto no conflito quanto na adversidade. Todavia no caso do Porto está mexendo com interesses que extrapolam o âmbito estadual, pois até o Paraguai dele se serve num ato de diplomacia que favoreceu e muito o amadurecimento da construção de Itaipu, isso sem falar em outras regiões brasileiras que se valem daquele corredor de exportação.
Não há uma só pessoa de mente sã que acredite na continuidade do agito deste fim de semana até porque nada resolve. Igualmente só um debilóide pode aceitar que as coisas no Porto D. Pedro II continuem como estão. Desde que a cruzada dos transgênicos, sem base científica e técnica, apoiada num fundamentalismo, começou o terminal entrou em queda e isso está classificado nos riscos. Mas as trombadas com a iniciativa privada tiveram continuidade como o da polêmica em cima do melhor complexo de contêineres da América Latina, o desaparecimento de milhares de toneladas de soja, a perda de eficiência. Na safra passada o Porto movimentava o dobro da tonelagem/dia de agora. O recorde foi de 108 mil t/dia e hoje o registro permanece no máximo em 50 mil t/dia.
O erro do governo é pensar que só ele pode mobilizar caminhoneiros como fez quando aprovou aquela lei inútil da encampação do pedágio, de mero efeito político e psicológico. E acabou bebendo do próprio veneno, tendo toda uma comunidade voltada na defesa do porto, ora em acentuada degradação como os números o estão demonstrando.
Se a greve dos professores sair (uma insanidade para dizer o mínimo) o astral que estava alto com o caso dos bingos e as promessas de Lula de acomodar interesses do Paraná no modelo energético e no pedágio vai ser preciso chover água benta para tirar o governo da má fase.
AINDA PARANAGUÁ Para sair um pouco desse clima paranóico do porto vamos lembrar das manifestações naquela cidade quando havia apagão no fim do governo Lupion. Quebra-quebra era a rotina. Um dia a revista Panorama, que nasceu em Londrina e se deslocou a Curitiba por obra de Adolpho Soethe, escalou o fotógrafo, já falecido, Sérgio Matulevicius para a cobertura. Sérgio, um dos azes da fotografia (chegou a trabalhar para a Embaixada dos Esteites), muito descuidado, viajou no toco duro no trem. Como formigava a perna por falta de circulação ao descer em Paranaguá, o Sérgio, com aquele rosto de imigrante e a carantonha risonha, perguntava, batendo os pés para safar-se do desconforto nas pernas, o local do quebra-quebra. Ao chegar na segunda roda já estava apelidado de robô curioso.
EMULAÇÃO Esse festival de teatro de Curitiba está hoje no calendário cultural nacional como de resto se dá, também, com o de Londrina. Num momento em que perdemos no esporte um referencial nacional como o Centro Rexona é importante lembrar que nossos eventos tradicionais não podem ser perdidos como aconteceu com o Festival de Música ou científicos como aquele curso de fisiologia de microorganismos que transformava a Capital num pólo de primeira grandeza.
E da mesma forma que no caso do teatro é possível uma emulação entre Londrina e Curitiba precisamos saber tirar partido dessa energia construtiva mormente quando ganha expressão nacional.





