LUIZ GERALDO MAZZA
As perdas de Vanhoni
Todos os presumíveis candidatos a prefeito de Curitiba marcaram pontos nas últimas semanas, à exceção do Vanhoni, o que perdeu muito: a degradação do PT e do governo Lula no plano nacional, a moratória do Plano em favor dos mestres do qual fora um dos padrinhos, o racha que virá no PMDB se houver pressão contra a candidatura própria com dissidências maiores do que os brancaleones sem votos que dominam o diretório municipal. Até na inércia todos foram beneficiados e o mais abonado de todos, Beto Richa, inclusive com as invasões de áreas bem ao estilo daquele histórico da Ferrovila desejadas e promovidas pelos mesmos de sempre.
Também Rafael Greca e Gustavo Fruet se beneficiaram com a proclamação no PMDB nacional da preferência dominante pelas candidaturas próprias para não fazer do partido maior um estepe do menor, circunstancialmente no poder. Não há sinal de horizonte mais claro na retomada do crescimento e isso também fulmina o candidato até aqui tido como o primeiro das pesquisas. Também o desempenho fraco do governo estadual (e que não se limita à tragédia do Porto, símbolo do imobilismo, da incompetência e da corrupção endêmica que permeia todas as gestões) o atinge, pois Requião se apresenta como seu cabo eleitoral e maior patrocinador.
Um fato contundente é o Plano de Carreira do magistério, expressão clara de falta de coordenação motora do governo, não sendo aceitável que só muito depois os secretários da Fazenda e do Planejamento, juntamente com o da Administração, que formam os seus melhores quadros, tenham percebido que os gastos extrapolariam os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. Professores, que são especialmente pós-graduados em greves (que normalmente só prejudicam os alunos e os pais e em nada os beneficiam), acenam com paralisia. Para um quadro convulsivo como o paranaense não deixa de ser dialético, um sinal de catatonia como o do Porto de Paranaguá.
CONFIDÊNCIA - Numa conversa que tive com o governador no Café Ritz, em janeiro, ele mostrava preocupação quanto ao ritmo do seu irmão, Maurício, no andamento do Plano de Cargos e Salários. Achava que tais benefícios deveriam ser concedidos de forma a mais gradual possível. Não se tratava de ''feeling'' ou de intuição, como se viu na sequência. Maurício Requião tem concedido a maior prioridade à reivindicação do magistério e corre o risco agora, com a promessa da greve, dessa trairagem e que atinge por via oblíqua o seu candidato Ângelo Vanhoni. A intolerância não se justifica até porque se houver a greve Requião pode retaliar, suspender pagamentos das horas paradas, repetir, enfim, o que fez no primeiro governo com a greve dos barnabés nos quais aplicou, de forma indistinta, três dias de suspensão com o desconto respectivo.
BIZARRICE - Enquanto perde ''bushels'' de soja, Requião segue Bush e cria o Mapa do Crime tal qual o do hierarca ianque que criou o Mapa do Caminho depois da vitória no Iraque acelerando o acordo com judeus e palestinos e ''dançando''.
AXIOMA - Quando os delegados se reuniram e Noronha anunciou reivindicações para melhorar o desempenho da Segurança, o governo revelou que há mais de 3 mil processados por desvio de conduta na PM e polícia civil. Haja sutileza.
GLOSA - O Brasil paga tributos como se fosse inglês e tem serviços públicos como os de Bangladesh. Agora vamos pagar o futebol na Arena da Baixada como se estivéssemos no primeiro mundo por um espetáculo varzeano. O estádio vai ficar igualzinho uma festa do Graciosa Country Club.
FOLCLORE - Há tantos navios ao largo em Paranaguá (44, ontem) que vai aparecer nova profissão: a de ''flanelinha de embarcações''.





