O presidente Lula disse o óbvio: o ritmo da gestão é lento, quase parando. No Paraná pelo menos os ''factóides'' e os conflitos (muitos deles válidos) criados pelo governador mantêm a pauta acesa, mas de expectativas e distantes de acontecimentos reais. Ainda assim, com tudo o que possa ter de negativo, o ganho de Requião em relação a Lula, mesmo sem dispor de uma doutrina articulada para justificar suas ações (nacionalismo, um ceticismo militante sobre os sinais neoliberais na administração pública), é inegável.

Nunca se viu na história brasileira uma deterioração tão rápida de um governo e que ainda se mantém com alguma perspectiva em função da aura que cerca o mito Lula, cujo itinerário não encontra paralelo até porque os messiânicos como ele, Getúlio Vargas e Jânio Quadros, distanciados como exemplo, também se deram mal, posto que o primeiro saísse da condição de ditador para a de estadista (de 1951 a 1954, quando é levado ao martírio) e tivesse um processo de exaustão demorado e o segundo com uma carreira, apesar de ascensional, estancada pelo vexame e a aventura ditatorial dissimulada na renúncia.

Não se percebe senso de comando (isso sobra em Requião para prejuízo dos que o cercam e são tratados como vassalos) em Lula e o pior é que o cardeal do sistema, Zé Dirceu, aquele que efetivamente imperava e que configurava o núcleo duro do governo, está em ''quarentena'' moral por causa da sua relação com Waldomiro Diniz e o décimo do dízimo cobrado do suposto bicheiro.

Como essa sensação de abulia, de inércia, predomina no governo federal o agito de Requião, em cima de polêmicas e quebras de contratos, ao menos mexe com a agenda política, bastante convulsa, todavia aquecida ao paroxismo. Dá a impressão, de movimento, dinamismo. O que, porém, é apenas aparência.

Nenhum dos dois Lula e Requião têm um projeto, uma estratégia. Lula acionou uma idéia-força no ''Fome Zero'' que redundou num fracasso e na mais expressiva das sensações de impotência. Se não há um projeto nacional seria difícil imginar um regional até pela ausência condicionante do outro, bem mais abrangente.

E como se não bastasse o governador paranaense faz um contraponto em cima das teses da moda que vão do Estado submetido à lipoaspiração, privatizações, enfim o enquadramento na realidade da dependência externa. A busca de acomodação como as registradas no problema dos transgênicos e no modelo energético (como custou esse parto ainda não definido!) dão bem a idéia de ausência de firmeza e de convicção no que pretendem um e outro.

BIZARRICE - Foi calma a escolinha de ontem já que o mestre não apareceu. A neblina que o impediu de chegar a tempo é pequena perto do tumulto que está para ocorrer nas universidades estaduais.

AXIOMA - No governo Richa ficou provado que na Universidade de Londrina havia nada menos de 85 jardineiros e a corporação resistia a qualquer análise em nome da proclamada autonomia. O professor Belmiro Valverde lembrou do fato, ontem, na CBN Curitiba.

GLOSA - Depois desse episódio londrinense fica difícil ver além do jardim.

EPIGRAMA - Criar cursos sem qualquer vinculação à realidade do mercado é uma das marcas das nossas universidades, tanto as públicas quanto as privadas. Formar setecentos comunicadores ao ano quando não há espaço para setenta é uma prova.

SILOGISMO - Depois da puxada de tapete na procuradora Maria Tereza Uille Gomes os deputados temem alguma operação semelhante com a composição da mesa da Casa e essa é a razão principal de todas as cautelas.

mockup