LUIZ GERALDO MAZZA
Lance por lance
A forma como o governador paranaense colocou as suas teses (não se pode falar que tenha uma idéia-força) estabelece um cronograma emocional como o de uma telenovela com vitórias e derrotas parciais, porém sustentando a temática invocada. Pode ser, por exemplo, que essa decisão do vice-presidente do STJ, relativa ao pedágio, não prospere e que o colegiado a modifique. O caráter cíclico e conflitante dessas decisões mantém Requião, mesmo quando há derrota aparente, sustentando pelo discurso veemente a esperança.
Sua decisão de levar pessoalmente ao julgador as razões da demanda é bem mais eficiente e pasteurizado do que depender de invasões de praça de pedágio para criar estados emocionais em favor da baixa das tarifas. As concessionárias vão cumprir de imediato a decisão para não acumular mais antipatia e têm confiança de que tudo reverterá no colegiado do STJ até porque há uma orientação no sentido de acatar recursos apenas quando esgotada a instância, no caso o TRF de Porto Alegre.
Não se pode negar que é um momento de vitória pouco importando que se trate de uma batalha, de um ''round'' e não do fim de uma guerra. Como a torcida do Atlético Paranaense, que vive da euforia do transitório como se fosse eterno, assim é o ritmo do governo Requião como se estivesse numa sequência de comícios, esquetes, que são a linha essencial do seu viver. Enquanto festeja sua meia-vitória no caso dos transgênicos, as deficiências do Porto de Paranaguá se revelam mais devastadoras do que o pedágio para o custo Paraná.
BIZARRICE Quando no primeiro trimestre de 2003 a taxa de emprego era de 18 mil ao mês, o governador se apressava em dizer que gerava o equivalente a uma montadora a cada dois dias. O balanço final foi o seguinte: 62.380 empregos no ano o que dá pouco mais de 5 mil por mês. Para quem fatura o momento, como se faz agora com a queda do reajuste do pedágio, pouco importa o balanço final.
AXIOMA Ao eleitor, depois do Waldogate, só resta aceitar aquele ditado gauchesco: está mais desconfiado do que cego que tem amante.
GLOSA Ecologistas e basistas fizeram em Porto Alegre um júri internacional sobre os transgênicos e uma equipe do governo Requião foi lá fazer o seu proselitismo em favor da ''soja pura''. No lado festivo leva a melhor, mas no concreto ganham Rio Grande e Santa Catarina com mais cargas nos portos, enquanto o nosso terminal está às voltas com ratos não transgênicos.
EPIGRAMA Soja pura seria o produto orgânico, longe dos defensivos, mas esse tipo de especialização não dá escala e teria preço alto demais.
FOLCLORE O Instituto Ambiental do Paraná embargou as obras de ampliação do aterro sanitário da Caximba que recebe o lixo da Grande Curitiba. Se houver aí mais um campo de atritos entre Taniguchi e Requião teremos como bandeira de campanha municipal, além do problema abrangente da segurança, o ''pró-lixo'', um terror mais sério do que o discurso prolixo.
CROMO Na pera d'água um tom distinto de ambrosia: Marcel Proust me vigia.
AFORÍSTICO O político do Paraná mais próximo de Lula, além de Gilberto Carvalho, é Jorge Samek, presidente da Itaipu. Passa o fim de semana, outra vez, com o presidente em Brasília.
VINHETA Por falar em Itaipu foram incorporadas mais 200 famílias (já havia 50) no programa de tanques-rede. Cada família tem dois tanques, cada um com capacidade para 400 quilos de peixe. Quem coordena o programa é o histórico Pedro Tonelli que sozinho, na fase inicial do PT, valia uma bancada. Em fim de semana volta a cuidar das abelhas no Sudoeste.





