A pauta de Requião

Numa situação-limite como a do Brasil e, especialmente, do governo Lula (sua extrema vulnerabilidade está mais do que demonstrada no Waldogate que se tenta abafar como o regime militar fazia relativamente ao noticiário comum) não é fácil assestar reivindicações junto ao Poder Central. Quase imobilizado pela pressão interna das correntes do partido, que não aceitam o ''realismo'' da moda e pleiteiam mudanças na economia (posto que não saibam como fazê-lo) e pelas externas da oposição, da opinião pública e ainda o ''garrote vil'' do FMI e seus sequazes, tenta, pela via do ''marketing'' e a tal da agenda positiva, dissimular tranquilidade, enquanto Lula, o Esopo de Garanhuns, desfila suas metáforas.
É como se um gladiador, quase abatido na Arena romana, subjugado no solo, tivesse ainda que prometer continuar a luta depois de morto (se fosse um cristão tudo bem porque estaria nos conformes da sua fé na ressurreição). E foi nesse cenário que Requião voltou a defender tratamento diferenciado no caso do modelo energético e no dos transgênicos, obrigando a União a uma ginástica incrível para atender parte dos anseios do Paraná. Pois agora, além dessas questões, todas na contracorrente do sistema, o governador tenta obter concessões privilegiadas do presidente e seus ministros numa pauta de nada menos de quinze pontos entre os quais uma renegociação das taxas aplicadas na dívida com o governo federal e coisas complexas como o acerto em favor da terra das aventuras da gestão anterior com os precatórios e títulos podres, obras públicas aqui realizadas com recursos internos e que a União não indenizou. Faltou incluírem a Ferrovia Central do Paraná, o ramal de máxima rentabilidade do sistema regional e que rendeu megaprecatório à CR Almeida.
Para o presidente que considera Requião um aliado importante -e que pode ajudá-lo a ganhar eleições municipais, especialmente à da Capital - olhar uma listagem dessas é uma forma de descompressão diante da realidade atroz: ''fichinha'' perto das greves de policiais federais, procuradores, advogados, técnicos da Receita Federal, médicos em guerra com planos de saúde, enfim, cada dia uma pauleira, como se já não bastassem as enchentes do Nordeste, a guerra civil subestimada da violência sem controle no país e o Zé Dirceu.
Por mais pesado que seja o fardo e o possível constrangimento, que haveria se o governante fosse Ney Braga, um Richa, um Munhoz da Rocha, um Alvaro Dias, um Lerner, age bem o governador até porque com isso resgata o que perdemos por passividade e isso ao longo do tempo. O rústico, às vezes, é o necessário.
BIZARRICE - Fartos de circo e faltos de pão, esse o nosso dilema diário.
AXIOMA - Movimentação média de cargas no Porto caiu de 108 mil toneladas/dia do ano passado para apenas 50 mil toneladas/dia. É, de fato, um terminal.
GLOSA - Professores ganharam Plano de Classificação, universidades estaduais perderam cursos e na segunda-feira tem mais escolinha do professor Raimundo.
EPIGRAMA - Dessa vez a revolta em Ponta Grossa (fechamento dos cursos, falta de professores) vai ser maior do que a da extinção do curso de Medicina. Votos para o Jocelito. Outra coisa: o promotor Fuad Farage vai agir de novo.
FOLCLORE - No Brasil a renda só cresce quando o desemprego aumenta. Menos gente no mercado formal, mais renda na mão dos felizardos que sobram. Dentro em pouco quem tiver carteira assinada poderá ser alvo de sequestro.

mockup