LUIZ GERALDO MAZZA
Surpreender como método
Dizia-se e um deles era o próprio Requião que o governo Lerner só existia no mundo virtual, na televisão. E o que dizer do governo Requião, como hábil operador da ''telinha'', e a sequência de capítulos de uma novela emocional que ora faz a cruzada contra os transgênicos, mesmo que não disponha de uma linha de argumentos minimamente aceitável, no plano técnico e científico, para fundamentá-la e na busca da ruptura de contratos entra de sola no modelo nacional de pedágio e saneamento?
Se os exageros lerneristas no ''marketing'' eletrônico não se justificavam também não dá para aceitar que esse ritmo de campanha eleitoral, na base do suspense e das saídas traumáticas, da atual gestão aproximem o virtual do que se poderia considerar ''virtuoso''. Surpreender por método é a habilidade maior de Requião como fez ontem ao escolher o procurador de Justiça Milton Riquelme de Macedo em lugar da Maria Tereza Uille Gomes para comandar a área do Ministério Público, apesar da aliança da corporação com o Executivo até aqui de uma simetria inegável. Quando governador na primeira vez, ao receber a lista tríplice do MP, rejeitou o colocado em primeiro lugar, Luis Chemin Guimarães, e aprovou o segundo Luis Carlos Delázari, hoje ouvidor e pai do secretário de Segurança.
SINGELAS E CHOCANTES As surpresas de Requião podem ser singelas e com ar juvenil, aí imitando o Manoel Ribas, das ''incertas'' nas secretarias ou ainda de puxões de orelhas em seus auxiliares nos encontros da ''escolinha''. Como um mestre-escola à antiga só falta restabelecer o ajoelhar em grão de milho e botar de castigo com ''orelha de burro'', já que certo de sua infalibilidade (nem a papal existe depois do pedido de perdão pela Inquisição e o martírio de Giordano Bruno) a sua mão jamais ofereceria à palmatória. Mantém a maioria do secretariado intimidada com as ameaças de demissão por faltas veniais como a de deixar de comparecer ao encontro das segundas-feiras.
O que não espanta é a frequência das viagens e as frases contundentes como a de chamar a revista Época de ''canalha'' por divulgar a óbvia reação do mercado financeiro às mexidas na composição acionária da Sanepar e truculências contra as pedagiadas e outras contratadas como se dá, e de forma sistemática, diante do Terminal de Contêineres de Paranaguá justamente no porto que é um dos vexames práticos e estatísticos da atual gestão o que lhe aumentou o risco negativo, caiu em eficiência e é um dos mais difíceis tanto para atracar como para zarpar.
O ESTILO IRRETOCÁVEL É o estilo e não há como retocá-lo. Como senador chamou o secretário de Segurança de Lerner, Cândido Martins de Oliveira, de Candinho Beira-Mar. Quando Cândido anunciou uma ação sobre o narcotráfico sugeriu que ela só poderia ser a favor da patologia. Como comentei essa frase nesta Folha, que a havia publicado em manchete, o secretário mandou processar o senador e este escriba. Requião acha que pode lançar a fúria verbal sobre todos e anuncia até, como está no ''Extra-Pauta'', órgão oficial do Sindicato dos Jornalistas, controle sobre a ''má informação'', isso é a que não o agrade.
O pior é que ninguém internamente ousa, com um mínimo de coragem e respeito pelas regras do jogo democrático, operar como mediador nesses transbordamentos que tendem ao paroxismo. Embora os bombeiros estejam na moda, na vida e na novela, no Palácio Iguaçu são mais numerosos os incendiários. O maniqueísmo aqui divide os seres em inimigos e vassalos. Desde 1215 com o Rei João sem Terra, na Inglaterra, se fez a primeira Carta Magna para superar esse divisor.





