LUIZ GERALDO MAZZA
Era feliz e não sabia
O Partido dos Trabalhadores lutou tanto para chegar ao poder e agora deve estar, e com toda a razão, com saudades do tempo em que fazia passeatas, greves e mobilizações. Só na Capital, ontem, havia quatro manifestações contra o governo da União: o início da greve da Polícia Federal, uma deflagração igual dos procuradores e de advogados da República, a dos médicos contra o arrocho salarial dos planos de saúde e a dos desempregados dos bingos, até aqui usados como ''laranjas'' para encobrir o Waldogate.
Hoje ninguém discute se Lula termina o governo porque na verdade nem começou. O pior é que já está com a tatuagem da corrupção e como se não bastasse com a sua coleção de feitos negativos PIB abaixo de zero, perda de renda do trabalhador e desemprego generalizado ainda enfrenta reação aguerrida das suas bases que já não aceita a continuidade da política econômica, como se sabe bem mais ao gosto do FMI, Banco Mundial e Consenso de Washington do que a do abominado FHC. Conclusão: Lula à direita de FHC. Pelo menos até aqui.
Como se não bastasse, o Brasil reconhece na ONU que ainda tem 25 mil pessoas em formas ''modernas'' de escravidão. Essa aí poderia dar margem a que se reproduzisse o verso final do ''Samba do crioulo doido'' de Stanislaw Ponte Preta e que diz enfaticamente ''e foi proclamada a escravidão!''
Quando chegou perto do poder nas eleições contra Collor (segundo turno) e nas duas em que perdeu de FHC no primeiro turno uma das palavras de sedução do PT era ''sem ter medo de ser feliz''. Como se vê dá para lembrar agora do PT no comando de agitos como os de ontem, isso no passado, para concluir que o partido, a esse tempo, era feliz e não sabia. Com o estilingue na mão é sempre mais fácil.
BIZARRICE No exterior não se elogia o Porto de Paranaguá por ser supostamente livre de transgênicos: de quase todos do Brasil é, ao mesmo tempo, o mais difícil de chegar e também o de sair.
AXIOMA A expressão do pessoal do PMDB e da oposição municipal na Boca Maldita sábado passado era a mesma de sempre, aquela que marcou suas seguidas derrotas diante de Jaime Lerner, duas vezes, Cassio Taniguchi duas vezes, e Greca.
TEOREMA Roberto Requião está para Lula como Itamar Franco para FHC.
GLOSA Atenção: a expressão ''ficar a ver navios'' não tem nada a ver com a atual situação do Porto de Paranaguá.
EPIGRAMA Brigar com universidades estaduais é repertório esgotado. O que não se esgota é a fome das universidades por recursos nem sempre corretos.
VINHETA A oposição declara, depois das manobras de ''abafa'' do governo federal para evitar a CPI dos Bingos, que jogou a toalha. Só tem que evitar abaixar-se para apanhar o sabonete.
FOLCLORE Agora só falta uma decisão da Justiça Federal liberando o Porto de Paranaguá aos transgênicos para o Paraná ter um clima de Velho Testamento com o Senhor, espada flamejante à mão e indignado com a insolência dos servos, ameaçando esmagar Sodoma e Gomorra.
CROMO A solidão aguça os sentidos: o estalo da madeira é familiar como afinal coexistir com fantasmas.
AFORÍSTICO A esperança derrota o medo, mas jamais a incompetência.





