LUIZ GERALDO MAZZA
Valdogate, o contágio
Até aqui o que salva o governo Lula é ainda o residual de esperança que sua vitória despertou em todas as classes. Isso tanto é verdade que nas pesquisas é nítida a diferença entre o seu prestígio pessoal e o da sua gestão, essa em queda livre, a outra caindo mas ainda num patamar elevado.
Cenários apropriados ao messianismo, como já tivemos com Getúlio Vargas e mais recentemente com Jânio (Collor é a versão ''pop'' desse processo), foram criados com a vitória, pela primeira vez, de um líder sindical e uma expressão das faixas pobres da população até por sua condição de migrante nordestino. Era quase um Antonio Conselheiro no poder, na visão dos mais radicais, que foram os primeiros a quebrar a cara ante o pragmatismo que foi aos poucos tomando conta do sistema e exigindo o sacrifício e o isolamento daqueles mais combativos.
Apenas 15% de consultados em recente pesquisa Datafolha admitem conhecer casos de corrupção de petistas. Quando se desdobra essa pergunta percebe-se entre os de renda superior a dez salários mínimos que essa taxa (é de 12% entre os que ganham até cinco mínimos) sobe para 44%. É o nível de informação a revelar que o tal patrimônio ético já não é tão seguro especialmente depois do Valdogate. Em pouco tempo, se não houver algo que restabeleça no campo da economia e do emprego (46% reprovam o papel do governo nessa questão) o sinal de reversão e que contenha a degradação da esperança tudo entra em tobogã. E inclusive o projeto político das eleições municipais. A contaminação é forte.
BIZARRICE - Requião chamou a revista ''Época'' de ''canalha'' por haver feito matéria crítica sobre o pacto acionário da Sanepar. O ponto de vista do pessoal do mercado acionário numa sociedade capitalista e na qual é revisto o papel do Estado é normal. Válida a postura de resistência em defesa do Poder Público na questão do saneamento desde que o governador compreenda que essas parcerias se transformaram num padrão e num modelo do Estado que faliu e que inspirará a cooperação público-privado da gestão federal.
AXIOMA - ''Canalha'' para a torcida do Rosário Central é elogio como o é de ''coxa branca'' para o Coritiba ao caricaturar a origem germânica ou o de ''porco'' para a galera do Palmeiras. Amanhã, no Couto Pereira, vai ter um número insignificante de ''canalhas'' o que não anula o de canalhas de verdade que podem estar em todas as partes.
GLOSA - Outra revista semanal ''Istoé Dinheiro'' pega no pé do governo Requião ao falar dos processos movidos contra Stênio Jacob, presidente da Sanepar, quando ocupava postos em Blumenau também para criticar o novo pacto acionário que isolou os minoritários. E sugere que o Xavier é uma das chaves: o Pedro Henrique, que atua aí e também no pedágio. PHX mais forte que o PABX do fone.
EPIGRAMA - O ministro Marco Aurélio Mello, ex presidente do STF, que não se deixa dominar pelo clima de ''satanização'' do bingo, reduziu o problema a um raciocínio claro: algo que carece de legislação clara e regulação. Nada mais.
FOLCLORE - A última edição da ''Paraná em Páginas'' é praticamente ocupada por um documentário dos 80 anos do Clube Atlético Paranaense. O dono da publicação é o jornalista Cândido Gomes Chagas, ''coxa branca'' doente e até conselheiro do clube. Ele se diverte com o sucesso da procura da revista e tira sarro dos seus amigos atleticanos dizendo que é preciso um ''coxa branca'' para salvar a memória do rubro-negro. É o Candinho doce, o azedo é o que ferra Lerner e Cassio Taniguchi, por sinal que ''coxas brancas''.





