Açodamento e pânico

Dirigentes do PMDB de todo País, reunidos em São Paulo, defenderam a autonomia da legenda em relação ao governo Lula, ainda que o apoiando, mas excluindo a possibilidade de pactos que o mantivessem atado já nas eleições deste ano. A articulação gestada em gabinetes, tanto nacional como em alguns estaduais, encontrou a instância apropriada para o debate: o partido.
  O caso do Paraná é surpreendente: o PMDB tem condições de disputar com candidatos próprios muitas das prefeituras hoje ocupadas pelo PT como Ponta Grossa, Londrina e Maringá. E detém essas condições igualmente na Capital, posto que aqui a sua vocação seja a de figurar em terceiro e até em pior colocação, quanto mais bravo e radical, como se deu com Rosenmann-Romanelli.
  O curioso é que o pânico ocorre nas duas fileiras: na do PMDB que se dispõe a tudo, como é do seu estilo, para matar no nascedouro a candidatura própria, às vezes valendo-se do futuro coligado para manobras safadíssimas como as que se deram na eleição do diretório municipal com aquele desfile de viaturas de terceirizadas da Petrobras, e também no PT no qual é visível o desconforto ante riscos para a aliança imaginada. Só os fanáticos e prepotentes imaginam o exercício da política sem riscos e o temor-pânico de um segundo turno é de tal ordem que parece embotar-lhes o raciocínio. E isso apesar de Requião ter ganho duas eleições para o governo estadual apenas no segundo turno: na primeira com a desqualificação de José Richa com aquela molecagem da ‘‘aposentadoria’’ (Luiz Inácio tem uma, embora aureolada com supostos méritos) seguida do estelionato do ‘‘Ferreirinha’’ que derrubou Martinez e na segunda com o apoio decisivo de Lula que mandou Alvaro Dias ao espaço.
  O feito de Ângelo Vanhoni na última eleição à prefeitura, quando chegou a ficar à frente das pesquisas e quase venceu o segundo turno, tende a tudo condicionar na visão exasperada dos que temem o fantasma do ciclo Lerner e sua permanência. Lançam mão dos mais desesperados recursos para que a aliança opere de qualquer jeito. Tanto que os murmúrios de que Beto Richa estaria quase emparelhado com Vanhoni saem do próprio Palácio, segundo o bochicho da praça, o que torna o boato suspeito e com jeitinho de contra-informação.
O MEDO - Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas mediu a sensação de medo em nove capitais do Brasil revelando que o curitibano é o primeiríssimo na paranóia com que se posta diante da violência incontrolável. Enquanto o índice de medo na média nacional é de 48 pontos e o de Curitiba é de 61. 40% dos pesquisados temem ter sua casa arrombada e sofrer assalto à mão armada.
  Como esse tema será o dominante na campanha eleitoral, apesar dos esforços de setores basistas para o tirarem de foco (estudantes na guerra pelo passe livre fazem indiretamente a politização do tema da tarifa de ônibus, que hoje afinal favorece Beto Richa que se recusou a assinar o aumento na saída de Taniguchi), essa carga – a da ausência de segurança – atingirá dois alvos preferenciais, os governos federal e estadual.
  O governo estadual tem escondido as pesquisas sistemáticas sobre modalidades de crime. Há quem diga que a divulgação excessiva carrega e muito a atmosfera psicossocial, aumentando a densidade do medo e do pânico. Mas não se enfrenta o problema (a banalização da violência ameaça criar um clima de conformismo) com saídas psicológicas como aquela bobagem de Lerner com os tótens sob o fundamento de que davam a ‘‘impressão’’ de segurança ou a mais recente de Requião ao acumular a função de secretário como se isso inibisse a Banda Podre e os próprios delinquentes. Aliás essa acumulação, no texto constitucional, é motivo de perda de mandato tanto para o governador como para o seu vice.#

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