A hora da devassa

Mais uma vez o transporte coletivo, devidamente ''politizado'', vai tentar tirar de foco da eleição de Curitiba o tema abrangente da segurança que deixaria o governo estadual na pior. Artigos do passado, escritos por Requião na sua primeira gestão atingindo membros do Poder Judiciário, com os quais mantém agora relações amistosas, por causa de decisões sobre tarifas voltaram a circular intensamente no pedaço.
De outro lado os estudantes secundaristas voltam às manifestações em defesa do passe escolar, velho refrão, agora apoiado com estudo de vereadores do PT mostrando que aqui há o menor número de benificiários. Políticos sempre adoraram o cortejamento servil da massa como corretores da esperança e sem qualquer compromisso com a realidade.
Enquanto isso ocorre, setores da Comec estariam admitindo uma tarifa de R$ 1,80 no sistema o que pode aproximar seus cálculos com os da Urbs. Os ônus seriam divididos entre Curitiba e Região Metropolitana em favor da salvação do sistema, o melhor do Brasil. É civilizado demais para ser aceito, embora penoso para o povão e que pagaria mais caro ainda com o passe escolar que se pretende mais generoso.
O ideal para remover suspeitas seria uma devassa para valer nas planilhas de Curitiba e Região Metropolitana, já que os tecnocratas falam do tema com um intolerával distanciamento como se a impossibilidade de o povo pagar a tarifa não se constituísse num fato concreto.
BIZARRICE Explicações dos políticos para o fato de Marte acusar no passado a existência de água: para um nacionalista e estatista isso se deu porque houve privatização da oferta do produto; para um ambientalista tudo se explica na exploração agressiva dos recursos hídricos; para um oposicionista de Requião tudo aconteceu porque resolveram dar água de graça aos usuários pobres.
AXIOMA Fala-se à boca pequena que a questão do veto às contas de Rafael Greca no Tribunal de Contas pode criar um impasse e um empate. O bingo, pelo qual o Requião tanto o atacava, parece agora ser ''fichinha'' diante da hostilidade até aqui protelada com pedidos de vista.
GLOSA A bancada do PMDB na Assembléia resolveu não dar corda à CPI dos Bingos, que era desejada pelo secretário de Segurança. Cada lado tem um foco sobre o assunto: a oposição gostaria de exibir o vídeo da visita dos secretários aos bingueiros e convocá-los para explicações; já do lado governista o esforço seria no sentido de investigar relações com o crime organizado. Há quem diga que existem mais imagens do que as já divulgadas.
EPIGRAMA A perda de eficiência do Porto de Paranaguá é de tal ordem que está levando seus usuários a pedirem intervenção federal. O grave é que o terminal é federal e cedido por delegação ao Paraná. Segundo o Alexandre Zraik não dá para confundir cais do porto com o caos do porto.
FOLCLORE Casamento gay está na ordem do dia: o presidente Bush quer proibi-lo em emenda constitucional e o senador Kerry já entrou na linha oposta defendendo a diversidade comportamental. O prefeito de Bocaiúva do Sul, Élcio Berti, proíbe a presença de gays na cidade e responde a um processo ético no partido por causa da discriminação. O ideal seria pelo menos um candidato agora, no pleito deste ano, assumindo o papel e não se enrustindo. Afinal um prefeito de Paris assumiu essa condição e ganhou a parada.
CROMO A jarra está suando: o cristal roreja no excesso de luz.
AFORÍSTICO Governante que divide a classe política em inimigos e vassalos não é exatamente uma referência de equilíbrio.

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