A paranóia eleitoral

Por que se criou o segundo turno das eleições? Simples: não estabelecida a maioria suficiente e isso foi também decalcado do exterior criam-se as condições para que entre os dois mais votados se estabeleçam coligações, sejam por afinidade ideológica, programática ou de oportunismo, para o teste final.
O PT no Paraná, que não é dos mais fortes do País, ainda que numa escalada de crescimento inegável, ainda mais se considerando um certo ranço conservador em nosso eleitorado, olha a eleição da Capital como um teste definitivo e nesse particular conta com a solidariedade do PMDB que sabe não dispor de quadros suficientes para habilitar-se sequer, como já se viu anteriormente, ao segundo turno. As ''lavadas'' que sofreu com Max Rosenmann e Maurício Requião tiveram um sentido pedagógico e o crescimento de Vanhoni na última experiência diante do lernerismo, e que redundou em derrota, parece ter convencido aos dois partidos que não há outra saída. Se aduzirmos a isso a contribuição de Lula, decisiva, na vitória de Requião, em total prejuízo ao aliado Alvaro Dias, entenderemos a resistência do governador à candidatura própria.
Outra coisa, pouco meritória ao nosso padrão de política, é o fato de a tese da candidatura própria no PMDB só ganhar força quando Requião está ausente. Ao menos no caso de Rafael Greca isso se deu nas duas últimas vezes (o que também é bastante frequente) em que o governador viajou.
Tantas foram as tundas que a oposição atual de Curitiba levou que há quase uma espécie de condicionamento, daqueles de que se ocupava Pavlov, que explica porque alguém mordido por uma cobra teme até a mangueira do jardim. Do lado dos requianistas há um raciocínio utilitário: se Vanhoni ganhar, o eleitor-chave terá sido o governador e se um candidato do PMDB for derrotado o ônus drena inteiramente para o Palácio Iguaçu. Fala-se na existência de pesquisas que mostrariam Beto Richa mais próximo de Ângelo Vanhoni e isso acaba, de certa forma, fortalecendo a tese da aliança já no primeiro turno. Como se vê esse agrupamento não está com a bola toda que tenta sugerir e parece, isso sim, movido por uma paranóia.
OUTRA PATOLOGIA - O Tribunal de Contas mantém Rafael Greca sob ameaça de perder a elegibilidade pela desaprovação de suas contas. Isso já ocorreu antes tanto com Requião como com Lerner. Não me parece muito claro esse papel do TC que se mostrou omisso com as roubalheiras de Londrina e Maringá em que o impeachment dos prefeitos se deu por pressão da sociedade organizada. Também quando se dá um caso como esse do Greca aos demais membros do TC resta a possibilidade de pedir vista e protelar o andamento, às vezes a forma suave de evitar abusos.
A propósito o pró-cônsul de Maringá e de suas finanças em várias gestões, o Paolicchi, tinha livre trânsito no Tribunal e era até recomendado como um craque em contabilidade pública. O Paolicchi continua preso, as dúvidas em torno do seu circuito de relações permanecem soltas. Soltíssimas.
FOLCLORE - José Cadilhe de Oliveira, campeão de carnavais, no sepultamento de Jorge Kudri falava ao celular para uma amiga do cemitério da Agua Verde. ''Por ora eu estou aqui no cemitério. É claro que provisoriamente e dentro de meia hora me encontro com você no Bar Stuart!'' Certa ocasião, escalado para saudar o presidente da Fifa, João Havelange, sacou esta: ''Na Roma clássica, a dos césares, costumava-se saudar o líder com a expressão Ave, César. No futebol mundial, em qualquer país, quando se saúda a sua maior expressão as multidões repetem 'Ave Lange'''. Essa parece criação do Emílio de Menezes.

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