LUIZ GERALDO MAZZA
O Porto Inseguro
É a chance hoje, com o depoimento do diretor técnico do Porto de Paranaguá, Ongarito Linhares, de fazermos a radiografia da discutida autarquia. Sugere-se que a Appa mantém controle físico e contábil das operações de descarga e embarque de grãos nos silos públicos. São comuns ali as operações de empréstimo entre operadores. E durante as diligências determinadas pelo governo para excluir os transgênicos com a varredura no complexo é que se descobriu a ausência de dezenas de milhares de toneladas de soja.
Busca-se saber a legalidade, o controle contábil desses procedimentos e como a receita Estadual e Federal acompanham essas operações e se feitas por operadores privados não haveria o risco de fazerem o papel de despachantes ou atravessadores dos produtores paranaenses? Se as cargas depositadas são de exportadores e operadores consignatários destas, como são possíveis os tais empréstimos e até que ponto os exportadores sabem dessas operações?
Essas são algumas das perguntas que aparecem num documento que circula nos meios políticos e que devem enriquecer o debate de hoje. Há revelações curiosas como a de que estamos há 14 meses sem dragagem de manutenção do canal e berços de atracação e que os navios tocam o fundo nos berços e nos pontos críticos do canal de acesso. Usuários como a Soceppar e Bunge oferecem dragagem por conta própria em função dos riscos e elevação dos prêmios de seguros. Há outras distorções ainda como a acusação de desvio de fertilizantes e segundo informes no ano passado mais de 5 milhões de toneladas foram descarregados sem qualquer controle oficial. A quase totalidade de fertilizantes que entraram no Paraná foram pesados e/ou depositados em empresas privadas. A única balança em funcionamento é operada por empresa privada sob ordem do sindicato dos importadores de adubo. Por essas e por outras é que entidades de classe e usuários do porto estão pedindo nada mais nada menos do que a intervenção federal no terminal.
BIZARRICE Até o fim do governo Requião, se for mantida a estatística, é possível que permaneça mais no exterior do que o seu antecessor. Aliás o mesmo deve ocorrer com Lula relativamente a FHC.
AXIOMA Juscelino Kubitscheck abusava de viagens, aliás mais dentro do país. Todavia era um tempo de obras e euforia e não de frustração como agora. Havia até a música popular caricaturando JK positivamente: ''passa, passa, avião// será ele ou não?'' No ''Zorra Total'' os lavadores de vidraças olham para o céu e repetem ''lá vem o Lula// lá vai o Lula!''
GLOSA Muito em voga na mídia, agora com a perseguição a deputados que não devolveram seus carros, o presidente Hermas Brandão tem no seu quadro de assessores nada menos do que três ex-secretários de Comunicação Social.
EPIGRAMA Requião fez um trocadilho com seu ex-adverso na questão da soja transgênica, o ministro Roberto Rodrigues, sugerindo que essas iniciais são de ''Runddup Ready'' da multinacional Monsanto. Pois bem: repicaram dizendo que Roberto Requião de Mello e Silva dá Runddup Ready da Monsanto S/A.
FOLCLORE Um dos poucos gestores do Porto que apurou a movimentação de soja e deu a parte que cabia ao Provopar foi o Francisco Deliberador Neto, ex-prefeito de Ibiporã. Por causa de uma incorreção num dos globos oculares logo de saída ganhou um apelido ''olho de garoupa''. Dona Débora Dias aplicou os recursos apurados em programas sociais. Dona Lúcia Arruda, irmã de Requião, não terá a mesma sorte.





