LUIZ GERALDO MAZZA
A velha encenação
Curitiba mais uma vez vai ser submetida ao ritual do aumento da tarifa com as ameaças de greve de motoristas e cobradores, assembléias em praças públicas, guerra verbal entre a Urbs e a Comec, enfim o enredo manjadíssimo como se fosse uma anestesia para a cirurgia do aumento das passagens dos ônibus. Há em gestação uma idéia diabólica do prefeito para colocar Requião em pacau de bico: seria mantida, fisicamente, a integração do sistema, mas a gestão tarifária se dividiria. Resultado: em Curitiba a passagem ficaria em R$ 1,70 e na metropolitana ultrapassaria R$ 2, com o que o pepino teria que ser absorvido pela Comec e com efeitos devastadores em toda a malha de municípios metropolitanos. Sem subsídios seria impossível a viabilização do sistema, já que as empresas quebrariam.
A forma de conciliar estaria em aceitar para Curitiba e Região Metropolitana aquele valor sugerido pela Urbs e sua tecnocracia e vetado por Beto Richa. Aí os dois dividiriam o ônus, irmamente como cachorros, e sem poder faturar o evento politicamente, já que ambos estariam constrangidos. Como em ano eleitoral não se negocia nem troca de ações terroristas, estaríamos diante de um buraco sem saída, posto que essa expressão tenha perdido o sentido desde a captura de Sadam Hussein com o rabo para a lua, o que não significou sorte.
Como Requião está fazendo um governo de atitudes, centrado em atos hostis ao pedágio e bingos, a contratos da gestão passada, essa o deixaria numa situação complicada, mais até do que a decorrente da decisão do Tribunal Regional de Porto Alegre que determinou, por goleada, 10 a 3, a alta do pedágio. Ora quem começou as manobras contra a prefeitura foi o governo estadual com aquele ''pacote'' de medidas, iniciado com a derrubada das cercas do Centro Cívico, um traque baiano olhado como bomba atômica, e seguido com o bloqueio ao ajuste das tarifas de ônibus da Região Metropolitana.
Não é um rito civilizado como não o é também a invasão das praças de pedágio pelo MST e como não seria uma eventual ação dessas ''brigadas'' ocupando tudo que diz respeito a transporte coletivo, de ônibus a garagens. O lixo que é lixo da política está aí com todo o seu vigor, mesmo na decomposição. Engov!
BIZARRICE Se a Justiça Federal der a ordem de cumprimento da decisão que reajusta as tarifas do pedágio à Polícia Federal essa vai ter que mudar a sua atual prioridade que é a de correr atrás de bingos. E se o MST impedir a cobrança o direito da força ganha da força do direito?
AXIOMA Curioso: um administrador estadual dizia que o Paraná poderia ser um mercado cativo da soja natural para a China Continental. Horas depois dessa afirmação maluca o Rio Grande do Sul fechou contrato de exportação para aquele país de milhões de toneladas de produto geneticamente modificado. E agora a China acaba de certificar, de forma permanente, a aquisição de soja transgênica dos Esteites. Será que vão continuar delirando? Ideologia é assim, quanto mais contestada pela realidade, mais se esforça por prevalecer. Isso porque ela não se ajusta à realidade que supostamente pretende mudar, embora não tenha a menor idéia de como fazê-lo.
FOLCLORE Jamur Júnior imitava bem o governador Ney Braga e nessa condição dava trotes como fez com o Pedro Tocafundo, da Café do Paraná. Tocafundo se postou na ante-sala do governador e só percebeu que caíra numa armadilha quando Ney lhe perguntou o que estava fazendo ali. Dias depois, Ney ligou ao Tocafundo e ele, imediatamente, pensando que era o Jamur, mandou-o para aquele lugar. Quando Ney Braga insistiu que era ele, o governador, e não o Jamur aí o Pedro passou por um constrangimento que não sofrera sequer como centro médio do Atlético, do Ferroviário (hoje Paraná) e do Palmeiras, de São Paulo.





