Soltando as amarras

A ideologia normalmente desfigura as coisas. Foi o que aconteceu nos anos de chumbo quando se discutia a limitação à liberdade de imprensa, que era a cara do regime militar, e surpreendentemente o sindicato dos jornalistas de São Paulo argumentou, em nota pública, que aquele questionamento era algo que só dizia respeito aos donos de jornal. Esse maniqueísmo decorre de um aleijão ideológico no sentido de que a luta de classes faz de patrões e empregados instâncias estanques.
Pois o Sindicato dos Jornalistas do Paraná tomou uma atitude correta de defesa dos profissionais da ''Gazeta do Povo'' tão atingidos quando os donos do veículo com o anúncio do governo citando as supostas ''sete mentiras'' do jornal sobre a acidentada negociação do Plano de Cargos e Salários da classe do magistério. Ora quem profere as mentiras é também o jornalista, afinal quem assume a autoria da matéria e é até identificado. É verdade que ficaria melhor se o dono do jornal se valesse do seu editorial, como fazem os jornais em casos como esse, rebatendo o ''institucional'' do governo, um documento histórico da forma como o Palácio Iguaçu pretende ser a última palavra nas ''verdades'', embora as seguidas dissimulações como nos casos do pedágio (a promessa não cumprida continua na ordem do dia de extingui-lo ou fazê-lo baixar) e do bingo com dois secretários do governo em amistosa reunião no andamento da campanha eleitoral com empresários da batota, ou ainda o escândalo do desaparecimento de milhares de toneladas de soja do Porto.
É indispensável que especialmente o sindicato, que tanto se empenha na defesa do diploma sob o fundamento (que acho equivocado) de que ele seria a garantia de uma informação precisa e dentro de parâmetros éticos, se manifeste nessas ocasiões, ainda mais quando o patronato se omite. Também decepcionante o fato de a Associação dos Proprietários de Jornais e Revistas ter se omitido quando lhe cabia a imposição de consciência de defender a instituição e censurar até o transbordamento oficial. Esse ponto de vista fiz questão de levar e isso de forma pessoal ao jornalista Abdo Aref Kudri, presidente da entidade, com quem mantenho relações de amizade e de respeito mútuo.
BIZARRICE A versão impressa do jornal virtual ''Documento Reservado'' reuniu estatísticas para mostrar que o Paraná é o último colocado em obras no Sul, embora o primeiro em auê e barulho. Já perdíamos de ''lavada'' (e isso não é de agora, mas de longo tempo) na parte social e em renda per capita.
AXIOMA Se o Paraná perder a questão dos royalties da Petrobras na Bacia de Santos (o caso do mar territorial) com os catarinenses a nossa auto-estima vai para o beleléu. Afinal, tirando seus centros de excelência universitários em que ganham de forma disparada dos paranaenses, andávamos sempre à frente deles, inclusive no futebol, embora eles tenham mantido seus dois representantes no nacional.
GLOSA A CBN Curitiba fez reportagem sobre a esticada do Legislativo estadual no ''feriadão'' até segunda-feira. Resta saber se ela não funcionando cria menos problemas aos paranaenses. Basta lembrar que os vetos moralizadores de Requião à Lei de Organização e Divisão Judiciária foram derrubados, a despeito de toda a tradição de subserviência da Casa. Aí tem.
FOLCLORE Taniguchi prepara um contra-ataque diante de Requião: sugere gestão tarifária diferenciada entre Curitiba e Região Metropolitana com o que a passagem da Capital iria no máximo a R$ 1,70 e a dos demais municípios satélites passaria de R$ 2. Mais do que alfinetada, um golpe de samurai.

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