Haja ''Big-Brother''

Nenhum governo resiste a um ''Big Brother'', os mil olhos do Doutor Mabuse, a espionar, detalhadamente, as suas ações. (Aliás o repórter fotográfico José Suassuna lembra a propósito dessa frase inscrita nos muros ''Requião tem razão'' de outra obra de Orwell, ''A Revolução dos Bichos'', em que se sugere que Napoleão sempre está com a razão). O ''Big Brother'' é uma alegoria ao Grande Irmão, o Estado Onipotente e Onipresente, no texto ''1984''.
Nixon não resistiu a Watergate como Collor não aguentou o tranco diante das denúncias do irmão Pedro. O ''grampo'' funciona à toda carga tal qual se viu agora no caso do Waldomiro Diniz, do Gabinete Civil, e suas relações com o bingo, jogos eletrônicos e do bicho como fonte de financiamento eleitoral. Na gestão FHC vimos as tropelias da disputa pelas teles no maior espetáculo de cupidez empresarial e política e aqui, também graças aos ''grampos'', a patifaria da Leasing ficou mais do que escancarada no governo Lerner.
Antes PC, em linguagem militar, significava ''posto de comando'' e hoje, principalmente depois de Collor, embora sempre existisse, passou a identificar o chefe das operações de financiamento de campanhas eleitorais e que todos, absolutamente todos, têm, uns mais discretos, outros mais carnavalescos, mas, de qualquer forma, indispensáveis em suas ações nem sempre à luz do dia.
O fator que sempre beneficiou o PT foi o de ordem ética até pelas origens obreiras da organização e de seus vínculos com a classe média. Como se mostrou vulnerável nesse aspecto a blindagem moral que o favorecia ''dançou'' e passa a ser um peso e não mais a salvaguarda permanente de indulgências plenárias.

BIZARRICE Fazer o Carnaval no Centro Cívico é a mais pura das redundâncias.
AXIOMA A moralidade nos negócios públicos é tão concreta quanto a redução das desigualdades sociais por existir apenas no discurso e em suposta intenção. É mais apropriada à exceção do que a um regramento. O cotidiano o comprova.

GLOSA Há sete dias, Lula não faz metáforas e discursos. Pelo menos nesse caso específico acaba não acrescentando riscos à sua trajetória. De qualquer forma, porém, se verá, dentro em pouco, obrigado a mostrar sua autoridade no instante em que forças internas do PT e do governo se digladiam agora sem barreira. Vai ficar como um goleiro diante de um chute do Nelinho ou do Alex, do Santos, perto da área, sem qualquer cobertura para atrapalhar o atacante.

EPIGRAMA Quando o astronauta Neil Armstrong chegou à lua soltou aquela frase ao dar o primeiro passo, script na mão: ''é um pequeno passo para o homem e um grande passo para a humanidade''. O Requião, ontem, em Paris, pode ter feito a paródia com a decisão arbitral de que o problema da usina de gás de Araucária deveria ser apreciado conforme as leis brasileiras: ''dei um passo pra frente e a Elpaso um para trás.''

FOLCLORE Com a volta da censura, agora em cima do Carnaval com o bloqueio ao ato sexual entre Adão e Eva, como sempre bolado pelo Joãozinho Trinta, dá para lembrar da marchinha dos anos quarenta ou cinquenta e que tentava uma certa colocação feminista. Era assim ''Papai Adão, Papai Adão// já foi o tal// Hoje é Eva quem manobra// e a culpada foi a cobra// Uma folha de parreira// uma Eva sem juízo// uma cobra traiçoeira// Lá se foi o Paraíso''

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