Sob o signo da moratória

  Todas as bandeiras do governo estadual - pedágio, bingo, transgênicos, ruptura de contratos - encontram na passagem do tempo, a moratória, um fator de avanço e recuo ao mesmo tempo. Objetivamente as guerras não foram ganhas, sim algumas batalhas. Se de um lado levam à impaciência daqueles que acreditaram piamente na veemência das promessas de Requião de outro lhe conferem tempo, um cronograma elástico, para aumentar o exercício da pressão, bem-sucedido no caso da ‘‘Caminhos do Paranᒒ ao menos nas aparências.
  Mesmo naquelas ações mais fáceis como a do leite, água e energia de graça é indispensável um cronograma, tanto que a adesão a essas ações sociais têm se dado de forma gradual. O privilégio às áreas deprimidas, de baixo IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, parece lógica, ainda que limitando o número dos assistidos, conquanto a promessa inicial, em pleno fogo da campanha eleitoral, sugerisse um atendimento universalizado.
  Lord Keynes, um liberal intervencionista, agora muito citado pela esquerda, perplexa com os rumos da globalização, costumava dizer com ironia que a longo prazo todos estaremos mais ou menos mortos. Era a forma de dar realce ao emergente, embora nesses casos exista a necessidade de programação. O ‘‘Fome Zero’’ de Lula teve mais força de apelo emocional à solidariedade do que resultados. Se frases e ‘‘teasers’’ bem sacados, como o ‘‘Shazam’’ do Capitão Marvel na história em quadrinhos, trouxessem respostas à realidade aquele ‘‘quem tem fome tem pressa’’ seria um aglutinador de primeira ordem. É o que se pode dizer dessa frase de aliados do governador colocada nos muros das cidades ‘‘Requião tem razão’’ que pode se confirmar ou não, dependendo dos resultados. O dessa semana foi bom, mas não é suficiente diante da promessa ‘‘ou baixa ou acaba’’. Não baixou, não acabou. Todavia manteve a esperança.
  PRIVILÉGIO - Costuma-se sugerir amiúde nos meios políticos que Requião estaria com uma força tal junto a Lula que poderia até virar uma ‘‘ilha’’ em normas nacionais como exceção que iriam do caso do pedágio ao dos transgênicos sem desprezar o do bingo. Ela resultaria de uma adesão do governador paranaense à tese da candidatura de Ângelo Vanhoni como parte de um acórdão no qual o PT se obrigaria a apoiar a reeleição de Requião (Samek na vice e que iria ao governo com o titular disputando o Senado e o atual dirigente da Itaipu se reelegendo da mesma forma que se deu com Geraldo Alckmin em São Paulo).
  Como conciliar a exigência de normas nacionais pradronizadas com tal intento é o problema. Além de tudo não haveria como fazê-lo sem implicações de ordem judicial. Os políticos dão prioridade às eleições e não à realidade imediata e percebe-se isso na forma como o PT ocupa, com volúpia não vista anteriormente, o Estado, ‘‘aparelhando-o’’ quase num repeteco do trinômio do MST: invadir (no caso político ‘‘ganhar’’), ocupar e resistir. Os acordos aí são indispensáveis até para garantir a hegemonia futura, desejada e programada.
  CARNAVAL - Cassio Taniguchi retorna antes do Carnaval e vai ouvir do seu vice, Beto Richa, ponderações sobre a ‘‘caixa preta’’ do transporte coletivo em função do que foi apurado junto a organismos como o Dieese. De uma forma geral o lernerismo sempre criou bloqueios a qualquer tipo de investigação e também os que acusaram manipulação (como foi o caso de Requião) não souberam demonstrar isso de forma clara e inquestionável.
  A presença de Richa na Prefeitura abriu uma perspectiva de ampliar o debate sobre o sistema, cuja operacionalidade o transformou em melhor do país, mas que peca seriamente pela falta de transparência. Sem falar naquela soberba bem característica dos tecnocratas sejam da Urbs, da Petrobras, da Copel.

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