Impeachment de novo?

Uma notícia truncada sugeria que os juízes federais, por sua associação nacional, entrariam com queixa-crime contra Requião por atos de desobediência na questão do pedágio junto ao STJ e que pleiteariam ainda o ''impeachment'' do governador. Até a notícia ser contestada tivemos distribuição de panfletos reafirmando a especulação.
Juízes não podem se deixar levar por emocionalismos, quando se defrontam com situações de constrangimento como essa, visível no desrespeito de afirmações do governador sobre a decisão da juíza da 9 Vara Federal. O governador faz do conflito o seu nutriente básico e no seu primeiro mandato levou a Associação dos Magistrados, a estadual, a esse tipo de precipitação com a formalização de um pedido de impedimento que obviamente não prosperaria na Assembléia e muito menos no ''crivo'' de Aníbal Khury e da maioria. Como esse instrumento é político, e dependente de maioria, já nascia morto, embora para os juízes fosse uma forma de expressar seu inconformismo e dentro dos supostos ditames da lei, já que é discutível a legitimidade da parte. Ora esses ditames são que normalmente o governador extrapola, como se vê agora nesse lastimável repeteco de selvageria pelo MST seguido de novos descumprimentos de decisões judiciais por parte da polícia.
Requião cresce na adversidade porque ele a amplia, enquanto os que seguem a lei, como agentes do Judiciário, ficam com todos os ônus especialmente em matérias que digam respeito a tarifas, sedutoramente populares. Quando prefeito deixou as tarifas dos ônibus deprimidas e quase quebrou as empresas e quando governador, no primeiro mandato, deu ordens de omissão à PM no caso da invasão da Ferrovila por velhos praticantes dessa modalidade no PMDB. No ano passado tivemos o ataque às praças de pedágio como parte do ''decor'' para aprovar a inócua lei de encampação.
O mundo e o Paraná mudaram. O governador, não. Nem depois do estágio no Senado Federal.
BIZARRICE - São tantas as denúncias no Porto de Paranaguá que de repente na terra dos apelidos portuário vira ''prontuário''. É soja que desaparece, balança do fiel (que tem fé pública) no terminal de fertilizantes que quebra e ninguém arruma, o píer da Petrobras que sofre abalo e não é consertado, contêineres que somem como se fossem voláteis.
AXIOMA - Professores afinal ganham aumento e os outros servidores quando terão atendimento? Talvez quando todos se tornarem pós-graduados em greve. O que derruba o sentido de ''isonomia'', pois os menos habilitados ''dançam''. Esse é um problema grave do sindicalismo moderno, quando se fala tanto em exclusão: aquelas organizações mais frágeis tendem a ficar à margem do processo. Os ''sem-aumento'' certamente se constituirão em maioria.
GLOSA - Como tanta coisa se julga na base da suposição dá para concluir que estamos muito próximos da consagração do supositório.
EPIGRAMA - Se o presidente Lula aposta na Parceria Público-Privado, como saída-chave para a retomada do crescimento, os eventos do Paraná (embora se reconheça que as tarifas são efetivamente abusivas) apenas retraem a perspectiva do setor privado aderir. Não há marco regulatório que resista. Outra coisa: São Paulo não chia, embora como povo estejamos longe de dar lições nos paulistas em matéria de engajamento e participação, na questão do pedágio. Mas não dá também para comparar o padrão rodoviário de lá e o daqui.
ANALOGIA - Quando do impedimento de Carlos Luz, em 1955, por pressão militar, o STF não acolheu o mandado de segurança pois os tanques estavam na rua, como o relatório do jurista e ministro Nelson Hungria destacou. O imobilismo de hoje mostra que os civis podem ser bem mais autoritários do que os militares.

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