LUIZ GERALDO MAZZA
O Paraná, uma ''ilha''
Desde o início do governo Requião se percebeu que a sua trajetória era tanto do ponto de vista doutrinário, da teoria, como da prática, em sentido inverso ao de Lula. Ao presidente, que teve a imperiosidade de evitar a explosão do ''Risco Brasil'' e fazer um controle rigoroso da questão fiscal e cambial, não havia espaço de manobra para atos de ruptura, quebras de contrato, enfim qualquer tipo de ação que afetasse um mercado sensível e que guardara um clima de paranóia em relação e isso desde as pesquisas que apontavam como inevitável a vitória do PT.
Como no âmbito regional os efeitos não parecem imediatos o tom de ruptura foi mantido sem que se considerasse que afetavam os interesses federais. De todas as demandas de Requião a que parece mais razoável e merecedora de apoio é a travada em favor da Copel e que será agudamente prejudicada se prevalecer a linha do modelo energético. As demais são discutíveis, especialmente aquelas que ganharam um tom fundamentalista como a dos transgênicos e do bingo, essa uma perda de energia por nada, ainda que sustentada pelo vácuo legal do fim dos efeitos da Lei Pelé. A do pedágio virou uma novela e agora com a liminar concedida pela 9a Vara Federal teremos um novo jogo de braços. É razoável a intenção de baixar as tarifas porque pesadas demais, mas não se pode dizer o mesmo do aparato jurídico-administrativo utilizado e de encenações selvagens como a da invasão das praças de pedágio pelo MST.
A usina de conflitos em que se transformou o Paraná assenta no modo de ser e agir do governador que faz disso o ''plancton'' do seu ecossista, nutriente chave de sua carreira política. Quando a adversidade se torna mais nítida, tal qual se deu na cassação do seu mandato (episódio ''Ferreirinha''), ele cresce e especialmente quando conta, como aconteceu, com a retaguarda do seu vice Mário Pereira e do secretário da Agricultura, Osmar Dias, que comandaram a resistência e hoje estão distantes a anos luz, como se deu com tantos outros, dessa aliança política.
Quem lê um documento como o Plano de Governo do Paraná, centrado nos vetores ''Desenvolvimento Sustentável e Inclusão Social'', e capta o agito diário em cima nem sempre de coisas significantes, percebe a distância entre pensamento e ação, entre doutrina e essa praxis nervosa que fatura emoções diárias.
BIZARRICE Como a decisão judicial, que concedeu liminar em favor do reajuste do pedágio para as consorciadas, veio num momento em que o governador estava ausente, imperou o maior nervosismo nos meios palacianos. A figura de proa nesses assuntos, o Botto de Lacerda, Procurador Geral, também se encontrava em Florianópolis tratando do caso dos limites do mar territorial e de alto interesse do Paraná em função dos royalties a que temos direito e que o MP federal está contestando em favor dos nossos vizinhos. Se a estada na Índia deixou Requião mais zem (zem por cento) ainda assim haverá conflito.
AXIOMA Rafael Greca, até quieto, é barulhento. Se a tese da candidatura própria para a eleição de Curitiba prevalecer (é o que deseja Fruet) ele vem com tudo e já tem uma ala no PMDB que defende a sua candidatura até por suas semelhanças de estilo (contundência, prepotência) com o governador.
FOLCLORE Em Minas, campeã da municipalização, o IBGE resistia tenazmente a uma pretensão autonomista de um distrito e o chefe político da região saiu-se com essa: a estatística levaria em conta não apenas o número de casas, mas também o de galinheiros, pois afinal eram domicílios ainda que ocupados por aves. A iniciativa emplacou, segundo Sebastião Nery.





