LUIZ GERALDO MAZZA
A rixa com Richa
Tentou-se dar ao gesto de Beto Richa, revertendo o aumento dos ônibus, uma série de interpretações cavilosas como a de que teria sido encenada pelo próprio Cassio Taniguchi ou ainda que seu inspirador seria o senador Alvaro Dias. Quem mais se irritou com o ato do vice-prefeito foi a situação estadual e oposição municipal, iradíssimas com o exercício de prerrogativa que de certa forma atrapalhou seus desígnios de sustentar o monopólio das críticas e, é claro, o conseqüente faturamento político em torno do assunto.
Abre-se menos do que uma fenda no sistema de governo municipal e sim a rara oportunidade de checar esse presunçosa exatidão que marca esse automatismo dos reajustes tarifários como se a Urbs fosse algo inexpugnável num momento em que a própria infalibilidade papal foi para o saco. O Dieese tem tanta expressão, nos meios técnicos e acadêmicos, quanto a suposta autoridade da Urbs e já se colocou em aberta crítica aos cálculos da organização municipal. Questiona itens relevantíssimos como o da capitalização do sistema, razão pela qual a tarifa que indica é pouco superior a R$ 1,70 e não os R$ 1,90 pretendidos.
Enquanto o sistema quer impor as suas verdades tarifárias, a oposição municipal e situação estadual quer ganhar a eleição antes do tempo tal a forma nervosa com que se pretende, já no primeiro turno, resolver a parada. Ambos jogam com a soberba, um com o mito da exatidão das coisas que vem da Urbs (essa que o Ministério Público precisa investigar a fundo no caso específico dos vales falsificados) e outro com aquela tensão nervosa para ganhar na marra que nem os milicos nos tempos de chumbo ousavam exibir ao fazer do aumento das tarifas um cavalo de batalha.
Agora Beto Richa decidiu permanecer e não mais viajará aos Esteites. Segundo a versão oposicionista ele iria passear na Disneylândia, conforme a do seu círculo mais íntimo levaria um filho para exame oftalmológico numa clínica norte-americana. Espera o retorno de Cassio e lhe transfere a responsabilidade do decreto tarifário. Só que até lá se obrigaria a coligir o máximo de dados de contestação ao pretendido pela gestora do sistema de transportes que sabe, de antemão, que não poderá aplicar o aumento nas linhas metropolitanas e no encontro com o titular do cargo revelar o que apurou e mais do que isso fazê-lo publicamente.
Curiosamente ontem o que não deixa de ser uma punição poética a 9ª Vara Federal concedeu liminar dando o reajuste pleiteado pelas donas do pedágio, compromisso maior do governo Requião quanto ao objetivo de baixá-lo ou de extinguí-lo no abafa. Como se vê as tarifas nem sempre são a favor.
BIZARRICE - Agora só falta a Urbs negar validade aos vales que foram comprados com o preço antigo na hora do futuro reajuste. Dela podemos esperar tudo.
AXIOMA - Se é juridica e eticamente válido propor o comodato aos donos das fazendas invadidas seria possível transformar inquilinos em proprietários dos prédios que ocupam pela mesma linha de raciocínio. Reforma urbana na marra. É o socialismo do pitecantropo erecto.
GLOSA - Outra notícia ruim para o governo: o deputado federal Gustavo Fruet reafirmou que é candidato a prefeito de Curitiba. Confessa que Requião pediu que viabilizasse a sua candidatura. A primeira forma de fazê-lo é declarar-se candidato, como fez ontem publicamente cortando a onda triunfalista e bem orquestrada de setores do situacionismo estadual e oposição municipal.





