A ''nossa'' Petrobras

A Copel é a nossa Petrobras, guardadas as proporções. Para uns é o Estado dentro do Estado, para outros a salvaguarda da soberania. FHC deve ter pensado muito quando das privatizações na hipótese de relacionar a Petrobras, como os argentinos açodadamente fizeram com a sua (Yacimientos Petrolíferos Fiscales), mas de saída havia uma restrição histórica e familiar: seu pai, o general Leônidas Cardoso, foi ao lado do general Buxbaum e outros uma das lideranças da campanha de ''O Petróleo é nosso''.
Estatais muito mais importantes do que a Copel foram varridas ao bater do martelo dos leilões: a Vale do Rio Doce, a Cesp (o maior de todos os complexos energéticos), as teles. E a nossa só não foi privatizada porque o mercado não a aceitou em função do quadro crítico dos apagões e dos efeitos do ataque às torres geminadas.
Se Lula fizesse com a Petrobrás, que bateu em lucros a Coca Cola, o que o nosso governador aprontou com a Copel estaria lascado pelos prejuízos claros já registrados nas bolsas, tanto a nacional como a internacional. Enquanto o Índice de Energia Elétrica da Bovespa teve alta de 107,3% e o papel preferencial da Cemig apresentou alta de 105,8% o da Copel subiu 36% em 2003.
Nos meios financeiros a reação aos atos de Requião como aquele que deteve o reajuste das tarifas de 25,27% no ano passado é da máxima hostilidade. Segundo analistas, a Copel vale hoje R$ 4,33 bilhões quando chegaria a R$ 5,37 bilhões apenas com a absorção do reajuste que o governador, lá do Texas, derrubou, como todos se recordam.
Para cada gesto Requião tem uma frase e a que justificou sua posição na negativa ao reajuste é a de que não se deveria olhar as coisas na perspectiva da ''roleta financeira'', algo merecedor de exorcismo como os bingos.
MODELOS - O Paraná exporta modelos, de cooperativismo (e pouco deve ao governo), de urbanismo, feitos ocorridos em gestões anteriores como o padrão Copel. Da atual, a de Requião, pretendia-se um modelo de reforma agrária (o da Araupel derrapa como inviável e restou aquele de dar áreas invadidas em comodato, algo inominável em termos de cumplicidade com a afronta à lei) e agora um de concessões rodoviárias centradas em manutenção. É algo nanista, pequeno demais, para o que pretende Lula com as parcerias público-privadas de tocar todo o sistema de infra-estrutura do País.
O pior é que a Copel vai ser atingida pelo modelo do governo Lula e sofrer prejuízos e maiores sinais de anorexia do que os ultimamente anotados.
BIZARRICE - O procurador-geral do Estado referiu-se ao episódio da invasão das praças de pedágio pelo MST como se não tivesse participação do governo. Só que à época um dirigente caminhoneiro, Neuri Tigrão, que estava num dos piquetes, abordado por um oficial de Justiça e na rede nacional CBN, declarou que o organizador de tudo era o PMDB e deu o nome por inteiro do autor da zorra.
AXIOMA - Houve no caso, de certa forma, o envolvimento da Polícia Militar em boletins internos reveladores da manobra. A PM não pode em nome do princípio da obediência agir contra a lei. É preciso lembrar que nem na Argentina a maioria dos militares entrou na onda dos agressores da lei e torturadores. Já no primeiro governo Requião a PM se omitiu na invasão da Ferrovila para que a manobra selvagem fosse deflagrada. Outra coisa: a ''obediência devida'', usada como argumento na Argentina para absolver os agressores, não está impedindo a condenação dos comandantes em processos regulares.

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