LUIZ GERALDO MAZZA
Cumplicidade demagógica
Um dos erros do sistema de reforma agrária no País é o de aparelhar o Incra e instituições congêneres, tentando fazê-lo até com o Judiciário, para induzir os supostos avanços pretendidos. No governo Sarney tivemos aquela barbárie, praticada conscientemente por um dirigente da Contag, Confederação dos Trabalhadores da Agricultura, que assumira o Incra, no decreto que declarava o município de Londrina de utilidade pública para fins de desapropriação, visando o sacrossanto objetivo reformista.
Essa mania de aparelhar o Estado apenas demonstra o oportunismo de uma esquerda mais disposta ao golpe do que ao risco da revolução, decorrente ainda de uma leitura equivocada de Gramsci. Foi claro isso em 1964, quando no embate das ruas a direita, claro que auxiliada pelos States e a CIA, levou a melhor na mobilização das marchadeiras, resposta mais eficiente do que o comício das reformas da Central do Brasil e a urticária dos sargentos.
Pois aqui no Paraná tivemos mais uma dessas demonstrações de claríssima irresponsabilidade com a proposta do secretário de Segurança para que os proprietários de áreas invadidas as cedessem em comodato aos ocupantes por três anos. Ora muitas dessas 68 áreas invadidas já contam com decisões judiciais autorizando o despejo que a autoridade não cumpre sob a alegação de que o ritual da imissão de posse deva ser precedido de diálogo e um diálogo sem fim, daqueles que jamais se exaure.
O MST já prometeu várias vezes cessar as invasões e não cumpriu. Como não cumpre, essa política de cortejamento ao basismo vai ao absurdo de propor a entrega, ainda que temporária, das fazendas invadidas. A quem o governo deve esses indicadores econômicos que sistematicamente usa para referir-se ao emprego e ao crescimento das exportações se não ao agronegócio? Justamente esse é punido por produzir.
Não bastasse o governo revelar a maior incapacidade no campo da Segurança ainda temos que aceitar o descumprimento sistemático de decisões judiciais e essa liturgia demagógica de tratar o MST como aliado incondicional. São as armas do fascismo em ação: intimidação, violência, invasão e depois o apoio daquele que tinha a obrigação de intervir para respeitar a lei. Em suma o medo dirigindo o espetáculo.
BIZARRICE - Se o Beto Richa recuar no caso da tarifa de ônibus ganha um cartão vermelho eleitoral. Mesmo que as explicações, o que é duvidoso, da Urbs pareçam razoáveis, sedutoras e seguras.
AXIOMA Sem-terra que invadiu pode ficar com a área segundo o governo, mas o professor CLT (nomeado irregularmente) não terá essa colher de chá e merecerá a demissão e ficará sem os 40% da multa do FGTS. Um governo dominado pela fisiologia precisava equilibrar-se na filosofia.
GLOSA - Ter candidatos próprios a prefeitos no PMDB é missão. A postura em contrário é sub-missão, prova de perda de identidade ou esquizofrenia.
EPIGRAMA - Filas para o Porto nessa época do ano é feito desse governo. Como ele só divulga o que é positivo, atribui a culpa aos operadores. Não se trata de um problema de área de competência mas tão-somente de competência, nada mais.
FOLCLORE - É de reconhecer-se que se aparecessem de repente as toneladas (há quem diga que chegariam a dezenas de milhares) de soja surrupiadas ou sumidas do Porto a questão das filas se agravaria. Nesse sentido, de certa forma, a falha inaceitável até que ajudou.
CROMO - Na cheia de Morretes os sinais dos despachos de serra acima, no fluir do Mãe Catira, flutuam e talvez indiquem a esperada bonança.
AFORÍSTICO - Copel, a terceira maior estatal. No mundo há quatro ou cinco?





