LUIZ GERALDO MAZZA
Tarifas e eleições
O maior deflagrador da inflação no Brasil é o poder público por lhe caber a gestão dos chamados custos administrados, as tarifas públicas. Com o realismo petista no comando desse processo, numa obediência muito mais radical do que a de FHC diante do FMI, o pastor que nos maneja como gado rumo ao abate, volta e meia há tensões bem do estilo populista como as criadas pelo ex-ministro das Comunicações Miro Teixeira, diante da agência reguladora.
Mas o PT na oposição é o antípoda desse que está no governo e tanto que o vereador Adenival Gomes já viu quase o apocalipse nesse reajuste da tarifa do transporte coletivo de Curitiba e Região Metropolitana. E como a demagogia para controlar imposições econométricas não escolhe partidos, o Beto Richa, até com razoável dose de razão, resolveu revogar o ajuste, já que o prefeito Cassio Taniguchi foi a Portugal, o que não significa que perdeu o lugar, conforme a rima da tradição oral do passado.
Afinal o outro candidato da base oficial, o pefelista Osmar Bertoldi, ligado por via familiar ao sistema dos coletivos, não sofre nenhum ônus com a alta e ainda fica certamente com os bônus. Na decretação do aumento para R$ 1,90 (um ajuste de R$ 0,25) quem está de plantão na prefeitura é Beto Richa e que passa, por isso mesmo, a assumir a responsabilidade pelo impacto.
Requião é o rei de trombar planilhas: quando prefeito levou as empresas quase à quebra por manter tarifas deprimidas; ainda agora, no ano passado, impediu o reajuste nas linhas metropolitanas, o que quase arrebentou as concessionárias e também age, com essa perspectiva, na guerra que mantém com as pedagiadas. Richa atua na mesma perspectiva: breca o aumento dos trabalhadores da área, na verdade consócios do esquemão com as empresas, e que podem exercitar o ritual demagógico das greves com uso de gladiadores para furar pneus, depredação de veículos sem que a Justiça cuide de cobrar responsabilidades dos sindicatos que patrocinam a baderna de bens privados e de uso público.
Está armado o circo eleitoral em torno do assunto e como sempre o palhaço é o povo que acaba pagando por tudo, seja qual for o resultado da pendência. Se a cada aumento de tarifa (energia, telefones, combustíveis) se fizesse o mesmo com o governo Lula seria engraçadíssimo e um caso de justiça poética para punir todas as formas de compulsão populista.
EXEMPLO A eleição de um advogado paranaense (Roberto Antonio Busato, de Ponta Grossa) para a presidência da OAB nacional expressa um dos caminhos que podemos seguir para melhor os níveis de credibilidade de nossa terra e de suas instituições públicas (governo especialmente) e particulares. Em passado recente um paranaense, radicado no Rio, com seu voto impediu a eleição do criminalista Alcides Munhoz Neto. Dessa feita pesou muito o fato de Busato ser vice presidente do Conselho Federal e ter exercido a função também de diretor financeiro.
Infelizmente são raros os casos de gente da terra, seja na vida da profissão liberal ou na política, que ocupam postos de relevância. Tivemos o caso dos médicos Nassif na Associação Médica Brasileira e de Mario Maranhão na entidade internacional de cardiologia. Também é merecedora de registro a eleição de Jaime Lerner para a instituição mundial dos arquitetos. Vamos por aí porque se dependermos de políticos estamos lascados. Haja a falta de expressão revelada agora na remontagem ministerial de Lula.
FOLCLORE A crise é de tal ordem que o pássaro João de Barro já prefere reformar a sua casa do que construir uma nova. Esse o Romanelli não coopta.





