A praia como integração

Passados os eventos do sesquicentenário é relevante lembrar, especialmente no momento da temporada de verão, que o litoral, que já foi numa certa perspectiva, o caminho de entrada para a civilização no Paraná, pode ser fator de unidade paranaense justamente no desfrute das férias. É preciso, no entanto, melhorar, e muito, para que não persista o êxodo em direção às praias de Santa Catarina. Aliás algumas desses balneários já tiveram maioria de proprietários e frequentadores paranaenses. Dá para lembrar os casos de Barra Velha, Piçarras e mesmo de Itapoá, quase uma continuidade do nosso litoral, alvo certa época de um ''plebiscito'' em que seus moradores pretenderiam ficar em nosso território. Não importa que se tratasse de ''chantagem'' junto ao governo catarinense até porque tanto empresários como o governo paranaense andaram tocando ligações pavimentadas em direção aquele balneário.
Setores das classes média média e média alta de vários pontos do território estadual se deslocaram especialmente para Camboriú, Perequê, Porto Belo, Costa do Santinho e outras áreas catarinenses, alguns com a propriedade de prédios como ocorria com empresários de Cascavel. Quando esta ''Folha'' mantinha uma linha de cobertura específica às temporadas de praias um dos veículos que percorria o litoral catarinense se dedicava especialmente a Camboriú, tal o número de assinantes do norte-paranaense que lá permaneciam.

GARGALO CRÍTICO O Paraná demorou muito para ter ligações adequadas, em rodovia, com o nosso litoral. A primeira se deu na gestão Paulo Pimentel quando o caminho pela Graciosa conectava-se com a estrada da Marta e a BR 277. Morretes era um dos pontos de parada não apenas dos ônibus como dos veículos particulares e isso se dava no folclórico Bar Barril.
Na verdade, as ligações a partir da Praia de Leste (à esquerda na direção do Pontal do Sul e à direita rumo ao sul em direção a Matinhos, Caiobá e Guaratuba) sempre foram inadequadas. Mesmo a melhora havida com a ligação de Alexandra a Matinhos, inaugurada nos anos 80 por João Elísio, apresentou problemas, tanto que, por causa de o seu itinerário ter mexido com o regime de águas, houve deslizamentos e a estrada ficou interditada por bastante tempo. Até hoje ela apresenta ondulações típicas de uma via dependente e operações de drenagem para a melhoria das condições da pista.

CORSARISMO IMOBILIÁRIO Tanto governo quanto iniciativa privada (e essa pelo corsarismo imobiliário) respondem pela política de agressão à nossa estreita faixa praieira. Todas as tentativas de regular a questão dos usos de solos esbarraram em continuadas irresponsabilidades das prefeituras fazendo concessões de alvarás de toda ordem e que explicam a circunstância de os nossos melhores pontos como Caiobá, Matinhos e Guaratuba se apresentarem como verdadeiras cloacas, como testemunham os levantamentos do IAP relativos à balneabilidade.
No governo Paulo Pimentel houve a melhor das iniciativas na adoção de Plano Diretor de toda a faixa das praias entregue à competência do arquiteto Luis Forte Netto, hoje integrado à equipe de Requião. Venho insistindo, tanto na Rádio CBN como em jornais e revistas, na necessidade de se retomar aquele levantamento como orientação para fins óbvios de atualização. Tirando exageros como a idéia de uma ponte sobre a baía de Guaratuba, aliás prevista na Carta Estadual em suas disposições transitórias, é possível fixar um ponto de partida para a reorganização do espaço, a despeito do comprometimento. Para se ter uma idéia dos absurdos: há uma ordem de demolição de um edificío, um dos maiores, por ter afrontado dispositivos das leis de proteção ambiental.
O que não se pode admitir é qualquer tipo de agressão, como já sugeri, ao nosso litoral norte, reservado apenas ao ecoturismo.

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