O corredor verde

A Itaipu Binacional, junto com o Ibama e o governo paranaense, está empenhada num projeto ousado: o da montagem de um Corredor da Biodiversidade ligando os parques nacionais do Iguaçu e da Ilha Grande das Sete Quedas ao Pantanal matogrossense. É a continuidade natural de uma política de preservação presente no plantio de mais de 20 milhões de mudas de árvores nativas na faixa de proteção que cinge o seu reservatório de 1.400 quilômetros de extensão. Essa floresta contínua soma 108.866 hectares, o equivalente a 60% do Parque Nacional do Iguaçu.
Como há um convênio entre Brasil, Argentina e Paraguai em função de interesses comuns na tríplice fronteira teoricamente se pode dizer que num raio de 300 quilômetros, partindo de Foz do Iguaçu, há um corredor verde de 1.095.927,33 de hectares de reservas, parques, refúgios, rios e lagos. No Brasil estão os parques nacionais do Iguaçu (185 mil hectares) e Ilha Grande (78.875 hectares) aos quais se deve acrescentar os refúgios biológicos de Bela Vista (1.908 hectares) e Santa Helena (1.483 hectares). Um dos mais refinados biomas do mundo está aí consolidado. Durante algum tempo se imaginou mais uma usina hidrelétrica de porte na Ilha Grande. Com a desistência da construção e depois que já haviam sido criadas Áreas de Proteção Ambiental (APA's) e da Estação Ecológica, isso em 1994, decidiu-se a criação do Parque Nacional de Ilha Grande.
CONSCIÊNCIA AMBIENTAL A iniciativa da Binacional, a qual está ligada o governo paranaense, pode se constituir num exemplo único, em escala nacional, de iniciativa ambiental capaz de mudar inteiramente a cultura sobre o assunto e assentada em razões técnicas e logísticas. Há ainda no mesmo campo um programa, também da Itaipu, de manejo das bacias e microbacias hidrográficas e que envolve a comunidade lindeira para preservar a qualidade da água dos mais de 1.500 rios e córregos que drenam no lago pela margem brasileira.
Não se trata de uma consciência tardia do ''afogamento'' das Sete Quedas imposto como necessidade pela criação do lago, mas de algo que pode ir muito além da proteção do entorno da barragem e que só no corredor da biodiversidade significa uma espécie de vaso comunicante, inclusive com a Bacia Amazônica.
OUTRO LITORAL A Costa Oeste foi muito decantada no governo Lerner, e os Jogos Mundiais da Natureza visavam justamente promovê-la. A iniciativa era boa, mas fracassou em seus propósitos e tanto que o assunto, ainda que examinado de forma superficial, gerou uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Obras pagas e não concluídas traduzem os desvios ocorridos.
Se a Costa Oeste conta hoje com um programa ambicioso como o dos corredores da biodiversidade, é preciso considerar que a Costa Leste, no litoral, é outra área de preservação relevantíssima. O conjunto lagunar, conveniado na gestão José Richa com o governo paulista, defende os fundamentos de vida da região.
O corsarismo imobiliário, que destruiu a nossa orla por ausência de respeito aos planos de uso físico, tenta agredir a área protegida. Hoje o Superagui, Ilha das Peças e outros acidentes importantes constituem a prova de que é possível conter as ações predatórias. Trata-se do mais belo panorama do nosso estreito litoral e que em sua área norte só pode admitir, como já foi dito, as práticas do ecoturismo, um tipo de exploração rigorosamente controlado para que não se repita ali a estupidez cometida na Ilha do Mel e testada nas festas da passagem do ano. Indispensável seria a prática, hoje em escala tímida, das viagens em barcos para a região.

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