LUIZ GERALDO MAZZA
Itamar e Requião, contrastes
Um governante sair das regras do jogo faz parte da tradição brasileira. Não dá para comparar o ato de resistência de Brizola, em 1961, pela posse de Jango com os da história recente com dirigentes do Paraná e de Minas. O primeiro na ruptura de contratos e na contestação ao modelo nacional e, o segundo, na decretação da moratória relativamente à União e nos atos de mobilização da PM para ocupar rios e represas e impedir a privatização da Cemig. O estilo de Itamar, mais contundente, e apelando para a arregimentação militar, o que também poderá ocorrer no Paraná na consumação do decreto que retoma o controle de estradas federais, hoje pedagiadas.
Os efeitos da moratória mineira e da hostilidade à privatização foram muito mais fortes, inclusive no cenário internacional. Quanto à moratória, o governo federal exercitou um jogo de paciência que consumiu muito tempo até dissipar-se. Embora os jornais nacionais dêem cobertura aos atos do governo paranaense, a credibilidade em torno da eficácia desses eventos é extremamente baixa e já rendeu inclusive editoriais pesados do Estadão, não apenas em relação às rupturas contratuais como ainda nas invasões de terras.
Transformamo-nos numa siderurgia de alegorias e factóides que acabam não se sustentando, mas nem por isso deixam de criar tensão e perplexidade. Como o povo, de um modo geral, acha mesmo um abuso o valor do pedágio, há aí o maior respaldo aos desejos do governante e que se confundiriam com os da maioria das pessoas. O tempo passa, o tempo vôa e a vigência do pedágio continua numa boa.
Aí, em função dessa realidade incontornável, a credibilidade, em que pese a pregação contínua, é minada pela passagem do tempo e para recuperá-la só há o caminho de reinvestir no passional e no emocional, como se deu com os produtos transgênicos e se dará infelizmente no caso do modelo energético, em que, pelo menos aí, a postura do governador é procedente, mesmo que configure quixotismo. No caso bastante nobre na defesa de nossa maior estatal, a Copel.
O Paraná é muito maior do que essa exposição de fundo político procura dar a entender. Instituições podem sair abaladas e até revigoradas em testes dessa natureza. Há quem ache esse tipo de agito permanente menos nefasto do que a tolerância que marcava o governo anterior. Como ensinavam os latinos, a virtude está no meio, no ponto de equilíbrio entre a ousadia extrema e a passividade bovina dos concessivos. Ela será encontrada. Requião passará da mesma forma que o poeta Mário Quintana passarinhava.
FOLCLORE Em função das seguidas ocorrências no campo da informática (ruptura dos contratos que afetaram, no início do governo, a marcação de consultas nas unidades de saúde; problemas na área de Segurança, como esse recente no evento do serial killer e no Detran) sugeriu-se, à base da anedota, que alguns servidores do primeiro escalão procuravam, de forma obstinada e insistente, as máquinas de datilografia Remington e Olivetti como se fossem uma preciosidade do porte do vaso do Santo Graal ou o sangue liquefeito de São Genaro.
AQUISIÇÃO O empenho do governo em comprar, via Copel, as cotas da Triunfo que tinha uma concessão de exploração energética se liga à tática de resistência ao modelo nacional e buscando manter a verticalização da estatal paranaense.
Há quem conteste a legalidade do ato sob o ponto de vista formal, embora a empresa tenha feito várias façanhas em aquisição e concessões como a da linha de fibra ótica, a dos 45% das ações da Sercomtel e tantas mais.





