Um povo sob sequestro

Quanto à insegurança podemos dizer que, no Paraná, ela é ''democrática'', isso é atinge a todas as classes sociais de forma equânime. Como há uma anomalia na crise brasileira que deixa sob ameaça um simples trabalhador com a carteira assinada na condição de privilegiado não é de espantar que a paranóia em busca de delinquentes leve a polícia ao equívoco de prisões por engano. Uma das mais trágicas se deu com três pessoas humildes, um borracheiro, um catador de papel e um adolescente que ficaram em cana por 11 dias confundidos com assaltantes.

Familiares e amigos do borracheiro (que, deprimido com o sofrimento, acabou se suicidando) levaram o seu corpo no dia do sepultamento em protesto na porta da delegacia do 10º Distrito Policial.

Quem iniciou o processo de politização da segurança foi o governador ao bater no cantochão da ''banda podre'' que jamais conseguiu identificar e punir. Seu alvo maior, o delegado Ricardo Képpes de Noronha, foi absolvido de todas as acusações por absoluta ausência de provas e ainda saiu candidato a presidente da Associação da categoria e venceu o candidato do governo, hoje elevado à condição de diretor da Polícia Civil. Uma pisada na bola foi a acumulação do posto de governador com o de secretário que é fundamento para a perda de mandato na Constituição. Ela visava criar uma atmosfera de intimidação e de onipresença do governador que só aumentou a ineficiência do setor, o que também não melhorou com a nomeação de um membro do Ministério Público, o que pode cair a qualquer momento no Judiciário por inconstitucionalidade, já que promotores e procuradores de justiça não podem assumir postos fora da corporação, conforme entendimentos jurisprudencial.

Houve politização, portanto, em tudo, e no caso do borracheiro suicida, essa iniciativa coube à comunidade como protesto e, ao mesmo tempo, tratou do sentimento de impotência hoje comum a quase todos. Afora prisões por engano, há também o fenômeno das mortes em abordagens confusas.

O curto-circuito com o Ministério da Justiça por causa do Infoseg, ocorrido na prisão do serial killer de meninos, já foi afastado, uma vez que a secretaria se comprometeu a restabelecer os registros e consequentemente a habilitar-se aos auxílios federais. Serviu pedagogicamente para mostrar porque estamos tão mal numa área que já permitiu que um dos seus comandantes, Ney Braga, fizesse uma das maiores carreiras da história paranaense. De Chefe de Polícia se fez prefeito de Curitiba, deputado federal, governador, senador. Há muito tempo é impensável essa trajetória a alguém que ocupe a pasta, apesar dos bons nomes que tivemos ao longo do tempo.

A NOVELA Na conversa de meia hora que tive com Requião, dias passados, no Café Ritz, ele havia anunciado a medida que adotou ontem: anular, via decreto, matéria contratual e relativa a bens pertencentes à União cedidos em delegação ao Estado nas estradas pedagiadas. Leva, na certa, outra reprimenda, agora em mandado de segurança na Justiça Federal. E seguirá no mesmo tom como sempre.

ENTULHO Removido o ''entulho autoritário'' do período castrense e castrante urge remover o ''entulho populista'' da CLT que torna impossível uma política de emprego no Brasil. Aqui, há muito tempo, a parte maior da mais valia do trabalhador fica nos escritórios de advogados e nos custos judiciais.

AXIOMA Se tanto o marxismo como o cristianismo vieram bem depois de Cristo e de Marx é de concluir-se que nem um e nem outro foram marxista e cristão.

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