Austeridade circunstancial

  Explode no gabinete do secretário de Segurança uma caneta-revólver atingindo um hierarca da área e bota-se panos quentes no assunto, embora esse objeto seja uma arma de uso proibido. Não é um bom exemplo num momento em que se dá tamanha ênfase à ‘‘operação desarmamento’’.
  Jornais publicam a anômala relação de rádios, jornais e tevês que foram programados pela Copel na campanha institucional do ‘‘Luz Fraterna’’ na qual se capta os maiores flagrantes de quebra de isonomia quanto ao alcance da circulação e da audiência dos veículos e ninguém manda examinar o absurdo como se tudo estivesse nos conformes. Também sem licitação.
  Um órgão de imprensa de Curitiba, ‘‘Jornal do Estado’’, divulga uma série de reportagens sobre o chefe do Cerimonial, Jacir Bergman II, estranhando que a sua mansão despenda o mínimo de energia com todos os aparatos eletrônicos e mais uma piscina térmica. Sugere que o usuário se vale do recurso do ‘‘gato’’, aquele da ligação clandestina e a Copel, provocada, promete investigar. O criticado obtém medida judicial que proíbe o veículo de sequer citar o seu nome, sob o risco de multa diária de R$ 5 mil. O jornal derruba a medida no Tribunal de Alçada que, em acórdão, entende como incompatível com o Estado de Direito Democrático a existência da censura prévia. O governo não toma, ou pelo menos não deu qualquer sinalização nesse sentido, providência.
  No Porto de Paranaguá há o desaparecimento de toneladas de soja, fato apenas apurado porque a separação do produto transgênico obrigou a faxina. Também não se conhece qualquer medida, além de uma queixa do superintendente do terminal, Eduardo Requião de Mello e Silva, acusando um funcionário subordinado à diretoria técnica. Uma ação popular é movida por causa de um contrato, sem licitação, delegando a duas empresas, uma delas ligada ao diretor de Desenvolvimento Empresarial, a cessão de ‘‘servidão de passagem’’ naquele complexo portuário.
  Dois elementos da cúpula do governo, o chefe da Casa Civil e o secretário de Habitação, Caíto Quintana e Luis Claudio Romanelli, aparecem em vídeo fazendo proselitismo eleitoral junto aos empresários do bingo. E apesar da cobrança da contradição aí existente, dada a campanha fundamentalista do governador contra esse tipo de batota, nada é apreciado com a extensão e profundidade exigidas.
  A amostragem não é pequena. O rigor é apenas com o passado recente.
  RESTAURO Por vezes o governador parece movido pelo sentimento sebastianista da restauração do Estado Provedor. Mas a cada dia a máquina pública lhe mostra o seu nível de degradação. Durante dois dias, por deficiências da Celepar, o Detran ficou sem registrar 16 mil informações de transferências e registros de veículos. Carroça não enfrenta foguete a propulsão como é a informática.
  Na recuperação do pavimento em Paranaguá o setor do DER encarregado da missão de acompanhar o processo à base de concreto armado adquiriu cimento em saca, ignorando que o produto a granel tem custo mais baixo. O próprio governador teve que intervir no caso em ação típica de um feitor, como ele próprio desabafou não se conformando com a distorção.
  NEPOTISMO O juiz substituto de 1.ªVara da Fazenda Pública quer que Requião e seus irmãos Maurício e Eduardo, a esposa Maristela e sobrinhos apresentem defesa na ação popular que acusa nepotismo. Audiência parenteral, jamais entre parênteses. Pecado venial da praxe brasileira, o nepotismo é comum em todas as instâncias de Poder, incluindo o Judiciário.

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