Queda de 16 pontos

Com Roberto Requião, governantes do Paraná voltam a aparecer no ''ranking'', conforme o Datafolha. Aparecendo em quarto lugar no Brasil, já que a medalha de bronze ficou com Aécio Neves, PSDB-MG, um décimo à frente (6,8 x 6,7), está com um bom desempenho, uma vez que contabilizou 59 pontos de ótimo/bom. Todavia em relação à expectativa criada, quando de sua eleição em dezembro do ano passado, caiu 16 pontos. Estava com 75 e ficou em 59. Não é motivo para pânico, mas recomenda cautela nas comemorações. Outra curva relevante é a de regular que subiu de 20 para 25 e se indicar uma tendência produzirá, nas próximas sondagens, quedas prováveis no bom-ótimo e subida no ruim-péssimo.
Outro detalhe importante da pesquisa é que em dezembro havia apenas 2% com uma expectativa de gestão ruim/péssima e agora é de 13%, um crescimento de 6,5%. Na verdade Requião está praticamente empatado com Aécio e mais com Paulo Souto, PFL-BA, Germano Rigotto (PMDB-RS), Luis Henrique (PMDB-SC) e Lúcio Alcântara (PSDB-CA), estes com um décimo atrás, pontuando 6,6.
Não há como negar que o desempenho é bom. Dá para perceber, no entanto, que as expectativas que gerou (revisão de contratos, derrubada do pedágio, fim do bingo, devassa nas montadoras, derrubada do monopólio das contas estatais nas mãos do Banco Itaú) é que sustentam esse grau de confiança e que tende a cair com a passagem do tempo. Um ano não é pouco e ainda que as batalhas prossigam não se divisa, em termos lógicos, uma vitória do governo.
De todas as batalhas a que parece mais justa é a da contestação ao modelo energético, no qual a Copel é totalmente prejudicada e punida justamente por sua maior eficiência na condição de melhor estatal do setor. É, no entanto, um jogo de braços muito difícil porque a estruturação conservadora do governo Lula nesse tipo de relacionamento com o receituário externo (leia-se para agrado do antigo discurso petista ''vinculado ao Consenso de Washington e ao FMI'') indica que haverá resistência à retomada da verticalização da empresa.
Quase todas as batalhas são quixotescas porque atingem o núcleo básico do projeto Lula, que é o de manter a confiança de credores e investidores. Talvez por isso mesmo, o governador, para fazer jus à figura do cavaleiro magro da obra de Cervantes e que investe contra moinhos de vento, esteja se aplicando na equitação, com dedicação exemplar, lá pelos lados do Canguiri, a sua residência ao norte da Grande Curitiba.
BIZARRICE ''O governador não acabou e nem abaixou o pedágio. Conseguiu mais do que isso: acabou o verão''. Observação do jornalista Fábio Campana.
AXIOMA Pode ser que o governador não seja exatamente incendiário, mas já no primeiro governo fez nomeação irregular (um tenente coronel) para o comando dos bombeiros com forte reação corporativa e agora o demitiu por causa de atritos de natureza burocrática. Há incêndios difíceis de debelar.
GLOSA O ex-presidente do Tribunal de Contas, Rafael Iatauro, no sorteio, ficou com as inspetorias da governadoria, transportes (Porto de Paranaguá) e da pasta da Educação. Seria redundância almoçar na Churrascaria Três Irmãos.
FOLCLORE Lerner só baixou de 60 pontos de ótimo/bom no segundo governo. Requião aparece com menos no primeiro ano. Se ganhar uma só das suas paradas passa dos setenta. Por ora, pelo menos, ''se tenta'' alguma coisa.

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