Depuração partidária

É tão obstinado o projeto imediato de poder do PT, por sua ala majoritária, que a sua direção não está nem aí com o contágio das desfiliações provocadas pela expulsão dos tidos como radicais e que simplesmente reproduziam as teses que levaram o partido à presidência. Aqui um grupo ligado à Universidade Federal, constituído de professores, militantes sindicais e estudantes, deve tirar o time de campo.
Para os pragmáticos do PT essas defecções são saudáveis porque isolam uma minoria que, como todo grupo ideológico e fundamentalista, se crê a falange-chave e a bússola da organização. O radicalismo dos situacionistas tenderá a crescer e a provocar outras deserções.
Apesar do conteúdo conservador do governo Lula, uma continuidade rigorosa de FHC, a sua forma é radical e iniciado o processo de esmagamento das forças à esquerda ele se dirigirá a toda e qualquer tendência por mais branda que tente o exercício da contestação. Será o furor do ''centralismo democrático''. Como o partido tem capilaridade no meio sindical e no movimento social como os sem-terra dá para imaginar os efeitos dessa ação hegemônica no processo brasileiro na contramão da democracia.
Também o PDT, por força da ditadura que nele exerce Brizola, haverá grande número de desfiliações ante a decisão de romper com Lula. Como o pleito de 2004 será um dos testes para a aplicação da ''cláusula de barreira'', que exige um mínimo de representatividade para que um partido se viabilize, o brizolismo corre o risco de enfrentar o nanismo e de extinguir-se.
Por essas razões o pleito municipal obrigará os partidos a lançarem os seus candidatos na eleição majoritária para garantir no mínimo, pela exposição na mídia, o sucesso na proporcional de 2006. Daí a razão pela qual teremos um grande número de candidatos que na verdade buscará viabilizar seu itinerário dentro de dois anos. Candidatos como Rubens Bueno e Marcos Isfer pelo PPS, Ney Leprevost pelo PP, Mauro Moraes pelo PL operarão dentro dessa lógica e com um pouquinho de sorte e bom marketing podem até emplacar, especialmente aqueles que como Mauro Moraes se especializaram num tema, o da violência, que é hoje a maior angústia do curitibano, anos-luz à frente do desemprego.
BIZARRICE Pra quem foi a vaia nas festas do sesquicentenário? Segundo os áulicos palacianos seria dedicada à chuva e talvez justificasse o fim do Simepar, órgão que cuida do clima. Para os padres e a santa é que não foi.
AXIOMA Gestores portuários (SC, RS, SP) teriam alertado o ministério dos Transportes que se a situação persistir como está em Paranaguá não terão como atender a demanda, incrementada pela proibição de exportar transgênicos pelo mais importante terminal graneleiro do país.
GLOSA O Ministério Público está fazendo no governo Requião o que o jurista e político Rubens Requião, então secretário de Justiça, fez no governo Ney Braga para atingir o antecessor nos anos 60. Ambos, nos dois casos, cumpriram prerrogativas suas, inquestionáveis. Rubens Requião assumiu todos os ônus da ação persecutória e no fim acabou rompendo com o governador, que levou os bônus. A diferença é que Roberto Requião, no caso atual, iniciou a ofensiva.
FOLCLORE Um deputado do passado foi censurado por andar na rua com a amante, enquanto a sua mulher, a legítima, estava na mesma praia. Explicou: a esposa era tão surda que se ele fosse declarar-lhe amor acordaria a vizinhança.
CROMO Uma tristeza, mais aguda que o suicídio, é a do amor impossível.

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