Greca, uma sinalização?

A decisão sobre candidatura própria e aliança ainda no primeiro turno ainda é assunto pendente no PMDB, até porque o grupo que se diz majoritário não está assim com essa bola toda. Há quem veja no prestigiamento que Roberto Requião deu a Rafael Greca, nas celebrações do sesquicentenário em que quase desbanca o padre Marcelo Rossi como animador de espetáculo, uma sinalização sutil ao PT, especialmente àquele que o cutuca através de André Vargas, presidente estadual, e de outras figuras fortes, entre as quais o Paulo Bernardo, o parlamentar nosso de maior proximidade com Lula.
O paralelismo entre Requião e Lula é o das linhas que dificilmente voltam a se encontrar. Rupturas contratuais como as promovidas pelo governo estadual ou o Ministério Público, tal qual essa que já tem medida liminar concedida e que reexamina as concessões fiscais feitas em favor das montadoras, jamais seriam praticadas pelo governo central. Muitas delas, como a dos transgênicos e a da Guerra Santa contra os bingos (e possível reabertura dos cassinos) vão jogar Requião em aberta hostilidade ao presidente. Daí esse clima de aproximação que leva parte do PMDB a aproximar-se do PT e de Ângelo Vanhoni, que acumula mais ônus do que bônus de ser líder do governo, estar claramente sob ameaça.
Do PMDB o candidato mais viável é Rafael Greca, ainda que o mais autêntico seja o deputado federal Gustavo Fruet até por seu histórico, embora lhe falte essa pegada, esse ''punch''. Greca era uma espécie de ''patinho feio'' do grupo lernerista e que ganhou a condição de candidato a prefeito na marra por força de ex-peemedebistas e basistas de tradição como Lineu Tomás e Edson Feltrin que atearam fogo nas zonais do PDT. Lerner preferia, já naquela ocasião, Cassio Taniguchi. Porém a resistência bem articulada e mais a indesmentível ânsia de poder e de luta do candidato o tornaram um fato consumado. Mais tarde, Greca tentou igual manobra, agora já no PFL, para ser o candidato a governador do esquema de forças e foi derrotado. Também não se saiu com escore apreciável de votos na eleição para deputado estadual ao fazer um quarto do que havia obtido como parlamentar federal.
Na pior das hipóteses, Greca é uma alternativa, ainda que sujeito no processo eleitoral à exploração pesada sobre o seu passado recente, incluindo a questão dos bingos e a onda de recriminações e explorações sofridas.
EMPATE Lula e FHC, num ano de gestão, terminaram com números iguais no Ibope. Só que em desfavor de Lula houve uma queda de expectativa quanto à boa gestão, já que o índice era de 71% e caiu para 63% em dois meses. Levando em conta que Lula está fazendo o que FHC evitou (as reformas, embora de meia sola) e por isso mesmo perdeu popularidade, o resultado não é mau. Mostra que as pessoas recuperam o juízo e afastam o clima de ''messianismo'' que se seguiu à vitória de Lula e que é altamente negativa para um povo que aspire democracia.
O messianismo ajudou a derrubar o medo, mas gerou esperança demais e agora as coisas se reequilibram, o que é bom para todos. Um presidente com jeito de Antonio Conselheiro pode pegar bem para um país pequeno. Para o Brasil não.
DERROTA A pior derrota de Requião não foi a dos transgênicos (esperada por qualquer pessoa com mínimo de conhecimento jurídico), mas a que mantém o monopólio do Itaú sobre as contas públicas. Trata-se de matéria contratual, como asseverou o STF. E o mesmo entendimento virá sobre as montadoras, apesar da liminar concedida para alterar os termos contratuais.

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