Democracia e conciliação (II)

Estamos em data apropriada, a do sesquicentenário do Paraná, para reverenciar a figura de José Richa. Ele nega, em seu percurso, aquilo que o sociólogo Ricardo de Oliveira falou sobre as lideranças da terra, vinculando-as a uma espécie de genealogia do poder. Não apenas ele, mas ainda Paulo Pimentel, que veio de Porecatu, originário de São Paulo; Alvaro Dias e Jaime Lerner, este filho de imigrantes poloneses.
Um governo experimentalista, centrado em doutrina, gerada no debate interno, algo que nada tem a ver com os que o sucederam. Tirando o caso da etnia, em Lerner, vemos nos políticos referidos como decorrentes do pioneirismo. Richa estudou em Curitiba, foi liderança estudantil como presidente da UPE e após se enraiza em Londrina onde é eleito prefeito, embora antes tenha sido deputado federal em 1962 pelo PDC, de cuja Juventude chegou a ser dirigente mundial. Tanto Richa quanto Pimentel criaram autonomia, mas vieram à política pelas mãos de Ney Braga.
Richa sempre foi um nome nacional, integrante do grupo cardinalício do PMDB e na sequência do PSDB. Solidário, não personalista, como outros que chegaram a patamar semelhante. Dos que vieram com as vitórias da oposição no regime militar foi o mais democrata e o que levou sua prática à exaustão.
Agregador como poucos, pôde, quando prefeito de Londrina, embora oposição, receber o apoio de setores do governo federal para urbanização da cidade, preparando-a para uma nova escala e um dos símbolos é o Estádio do Café. Na engenharia da conciliação poucos o superavam, daí a condição de interlocutor permanente de Mário Covas, Franco Montoro, Fernando Henrique e o papel relevante que desempenhou nas Diretas Já e nas vitórias nacionais do MDB, PMDB e PSDB.
A sensação de vazio é grande. Nossa maior carência é a falta de presença nacional. E José Richa foi das mais eloquentes que tivemos.
MODELO ENERGÉTICO De todas as batalhas de Requião há uma em que ele tem a maior razão: a do modelo elétrico. Com as ações judiciais do PSDB e do PFL, que discutem a constitucionalidade da Medida Provisória (MP), é possível que haja se não um recuo pelo menos ganho de tempo para novas articulações. Um dos que está empenhado para emendar a MP é o deputado federal Gustavo Fruet.
A Copel, no caso, pagaria por ter sido eficiente e haver investido. Aliás, o patrimônio da estatal é de todos os paranaenses e se já não bastasse o fato de não contarmos com as vantagens fiscais de gerar e distribuir energia ainda corremos o risco maior de ficarmos atados a um sistema que gradativamente dissipará todo o esforço acumulado ao longo do tempo.
AS OUTRAS Nas demais ''divididas'' com o governo federal Requião levará a pior e de pouco adiantará sustentar polêmica junto ao Ministério da Agricultura para que este revele o número e a localização de licenciados para plantar soja transgênica. Perderá a dos bingos, desejo claro do governo federal que buscará aí o financiamento dos esportes em tempo de Olimpíadas e ainda de proximidade de Jogos Panamericanos no Brasil. Deve perder também a do pedágio por se tratar de ''modelo'' no esquema público-privado para investir em obras de infra-estrutura de um modo geral. No meio da semana andava irritado com o PT e seu governo, alegando que na reforma tributária houve prejuízo muito sério às fábricas de papel do Paraná.
TIROTEIO Briga em trincheira aliada aumenta no governo Requião: a queixa do primeiro-irmão do porto visa atingir outros diretores, o mandado de segurança contra a propaganda oficial é de companheiro de Cascavel e há o racha entre o genro (Mussi) e sogro (Pimentel). É dividindo que se governa.

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