Transferir prestígio

Uma publicação, dias passados, sugeriu que o prefeito Cassio Taniguchi teria o equivalente a 300 mil votos e poderia, no mínimo, levar a eleição na Capital ao segundo turno. É possível que o prefeito, a despeito do desgaste pelo tempo em que está no posto e mais ainda do decorrente do Caixa 2, detenha, de fato, esse potencial. O problema está em saber se o transfere. Com Lerner, por mais de uma vez, e com Greca isso aconteceu. Lembram do Rafael fazendo olhinho de japonês na defesa do seu sucessor, hoje adversário?
Pois bem a liderança maior do Paraná, o governador Roberto Requião, mostra e com razoável frequência que não consegue fazer essa transferência e isso nem em favor do irmão, como se deu mais de uma vez, com Maurício, quer para o posto de deputado federal, quer para o de prefeito. Não é só ele. Figuras de maior destaque na história paranaense, como Ney Braga por exemplo, também não o conseguiram e em momentos cruciais como o da transição para a democracia quando Saul Raiz não se elegeu e o ex-governador perdeu de Alvaro Dias e, de forma acachapante, para o Senado.
O quadro é extremamente mutável. No fim do regime militar os adversários de segundo turno (por sinal que fizeram menos de 45% dos votos válidos, uma das médias mais baixas do Brasil), Requião e Alvaro eram aliados, hoje não se toleram. Nesse tempo Richa era o agregador. Mais tarde se desavieram. O grupo mais denso, o de Lerner, com a perda do último pleito governamental acabou se atomizando e a única perspectiva de recuperar espaço é a Capital. Daí o pânico de setores do PMDB de mais um massacre, razão pela qual apostam, em meio à paranóia, em Vanhoni que quase derrotou Taniguchi.
BIZARRICE - Como são parecidos, no estilo e na juventude, mais ainda na suposta consistência dos argumentos, o vereador Fábio Camargo e o secretário Delazari, de Segurança, nessa guerra dos bingos. Também convergem nas intenções, ambos usando argumentos apocalípticos como se fossem pastores de uma seita.
AXIOMA - Se no Iraque e no Afeganistão houvesse o mesmo tipo de estatística para atentados, mortes e feridos, aqui adotado nos registros da violência estadual, dir-se-ia que aqueles cenários são de absoluta paz, a dos cemitérios.
GLOSA - A forma como o ex-potentado Saddam foi apanhado como um rato no esconderijo comprova o quão tênue é a fronteira do martírio ao ridículo.
EPIGRAMA - Lula motivando banqueiros a que invistam na produção e distribuição da renda, como se sua função não fosse eminentemente especulativa em cima da mercadoria escassa que é o dinheiro, aqui ou em Caixa Prego, é a ingenuidade muito próxima do patético.
FOLCLORE - Moisés Lupion, governador, visita a cidade do interior. À época, mais do que hoje, isso era motivo de festa porque não muito frequente. Coloquial, o governador quer saber do burgomestre como está a zona, obviamente a região, a referência geoeconômica. O prefeito se solta: ''Estava muito boa. Tinha mulher aqui igual às de Londrina até que o padre resolveu bronquear e a zona acabou fechando. Hoje é uma tristeza.''
CROMO - A bailarina é assim: deixa o balê, mas não a coreografia e tal se dá com os ágeis e delicados dedos da Maria no teclado feito palco.
AFORÍSTICO - Do regime militante se pode chegar rapidamente ao militar.

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