Sem deserção

O novo presidente do PMDB regional, Dobrandino da Silva, é abertamente pela candidatura própria em todos os municípios em que o partido esteja em condições de competir. Não é, portanto, um caudatário da deserção como o grupo que venceu o pleito no diretório metropolitano que, tomado pela paranóia do lernerismo, que já os massacrou por cinco vezes, quer a entrega já para o PT, ainda impressionado com o desempenho de Vanhoni no segundo turno de 2000.
Essa ''bandeira'' de jogar com estepe do PT, quando sempre se deu o inverso, animou o pessoal de Londrina num possível apoio à reeleição de Micheleti, apesar de haver pelo menos dois postulantes do PMDB em condições de disputa como Elza Correia e Luiz Eduardo Cheida. Se nas principais cidades do Paraná o PMDB adota o ''entreguismo'' prova-se que a sua liderança máxima o governador Requião está minado pelas contradições internas, enquanto no plano externo age em sentido contrário à estratégia mais imediata do presidente Lula.
Eleições em dois turnos foram criadas exatamente para testar, primeiramente, a vitalidade dos partidos e seus candidatos e, num segundo, o teste das alianças centradas em afinidades doutrinárias ou conveniências de momento, o que é bem mais relevante nos padrões nacionais.
Gustavo Fruet promete ir à luta e despreza as indicações das pesquisas que o colocam numa posição muito fraca, alegando que elas só têm sentido lá por junho ou julho. Os que aparecem mal nas sondagens sempre têm esse argumento quando não declaram que a pesquisa verdadeira só se dará a 3 de outubro. Por sinal que nas pesquisas o preferido, Ângelo Vanhoni, já esteve com 40 e agora não ultrapassa os 20 pontos. Numa coisa, Fruet tem razão: 85% dos eleitores de Curitiba não estão nem aí com os candidatos colocados.
Hoje Rafael Greca o supera facilmente no PMDB, posto que detém a mais alta das taxas de rejeição e ainda tenha imagem junto ao público de ser a favor dos ricos, em que pese a sua devoção por São Francisco, símbolo da pobreza. Até lá tudo pode ocorrer, inclusive a água derrubar a ponte diante do anúncio das enxurradas e da fragilidade do sistema de drenagem curitibano. E levar de roldão candidaturas e pesquisas eleitorais nas águas ''limpas'' da política dos rios Belém e Ivo, esgotos a céu aberto.
A VOLTA DO SONHO - As homenagens recebidas pelo governador Requião em Sergipe, incluindo a cidadania honorária, proporcionada pela presença de parentes seus naquela unidade federativa, não só o emocionaram como o reanimaram no velho propósito de concorrer à presidência. A celebração correu por conta do João Alves, governador, e que apareceu na listagem dos beneficiários da Leasing, ainda que absolvido nos processos. É uma figura forte do PFL tradicional. E como Requião está na contracorrenteza de Lula com todas as condições de perder, uma a uma, as batalhas que está sustentando, isso deve fortalecer o seu ânimo para novas investidas no ''marketing'' da moralização que está no fundo da guerra contra o pedágio e o bingo e do meio ambiente na questão bem tortuosa, e de difícil reversão, dos transgênicos.
Como não tem feitos internos, a polêmica diante de assuntos nacionais o acaba colocando em cartaz. A insistência em tentar impedir que o Porto de Paranaguá receba transgênicos é algo que vai terminar em trombada com a União.
FOLCLORE - Uma piada corrente em Paranaguá é a de que quando o ''residual'' dos silos portuários estava muito baixo no Porto argumentava-se que eram os pombos que estavam se alimentando do material da soja. Teriam o tamanho de um urso, conforme indicavam as estatísticas. Voltaram a falar no assunto outra vez.

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