LUIZ GERALDO MAZZA
Ainda a descentralização
Se é verdade, como vimos anteontem, que São Paulo perdeu posição relativa no PIB nacional deve-se reconhecer que a descentralização ainda é insuficiente para caracterizar um quadro de harmonia entre as várias regiões. Quem mais cresceu no Brasil, de 1981 a 2001 foi a nova fronteira de Mato Grosso em 228% e da Amazônia com 223%, portanto no centro-oeste e norte.
De qualquer forma a economia brasileira ainda está centralizada no eixo sul-sudeste. Apenas sete estados, a maioria da região referida, representam 77% do PIB e em 1985 o percentual era de 81% (SP, RJ, MG, RS, PR, BA e SC).
Trata-se de um processo lento e gradual, mas permanente, e que se vier a ser respaldado por alguma política de fomento em áreas como as da Sudam e Sudene, com menos roubalheira, marcará uma tendência. Se assim fosse teríamos, também, efeitos menos anárquicos das migrações. O agronegócio, que está garantindo a vitalidade da economia, responde pelo crescimento do PIB em Mato Grosso do Sul (8,1%) e Mato Grosso (6,7%) seguido de Rondônia (6,5%), Roraima (5,9%) e Amapá (5,7%). O nordeste ainda é o bolsão de desajustes e respondeu pela queda da média nacional em 2001: a sua renda per capita era de 47% da nacional, algo em torno de R$ 3.255 contra R$ 6.954.
LEIGO EM PLANEJAMENTO Como o Estado brasileiro perdeu a capacidade de planejar (embora se sinta no caso do modelo energético uma pretensão do governo Lula em restabelecê-la) e se tornou, especialmente com a onda privatizante, praticamente leigo na área, é difícil esperar que em curto espaço de tempo tenhamos intervenções públicas que permitam a decolagem de regiões deprimidas.
Transferindo o tema para a região, isso é internalizando-o, também deparamos com uma estrutura degradada e que vem desde os governos do PMDB e se acentuou de Lerner para cá. O fato de as pastas e empresas com mais habilitação para obter empréstimos internacionais terem mantido seus respectivos núcleos de programação e planejamento explicita porque falha a coordenação geral.
A inexistência de uma intervenção mais lógica mostra que o interior levou a melhor sobre a Grande Curitiba tanto em faturamento como em emprego. A média de empregos diários no interior é de 330 e na Região Metropolitana de apenas 28, o que dá uma idéia das carências de municípios ocupados pelas migrações e áreas de expansão do narcotráfico, especialmente os próximos de Curitiba.
ILHAS COM KNOW HOW Sem recursos de fomento, pois a Agência existente está com o caixa vazio, a forma de obter algo ainda é pela atração da poupança externa, via incentivos da ''guerra fiscal'' (um dos fatores que mais contribuiram para o fenômeno da descentralização ocorrida) ou por organismos como o Banco Mundial que atende aqueles núcleos com maior know how como Desenvolvimento Urbano, Educação e as estatatais, privilegiadíssimas por tradição. Não há um programa e inexistem estudos para a correção de desníveis regionais. O varejo dos saques como o do leite, da água e da luz de graça é que constam do cenário, prova de que há um populismo assistencialista e sem qualquer sinal de racionalidade operando. Uma notória prioridade é concedida ao Movimento Sem Terra, o que por si só revela a inexistência de uma filosofia, de uma doutrina e de planejamento até porque os retornos dessa atuação pouco influem na dinâmica interna.





