Um país desconcentrado

O IBGE mostrou o óbvio: o Brasil desconcentrou-se e São Paulo, ainda, e por muito tempo, o ''olho do furacão'', teve a sua participação reduzida no PIB de 51,6% em 1985 para 41,8% em 2001, consequência, entre outras coisas, da fúria da ''guerra fiscal''. Na região Sul, onde o Paraná perde feio nos indicadores sociais para gaúchos e catarinenses, acumulamos o crescimento de 90 vezes, enquanto Santa Catarina chegava a 77 e o Rio Grande do Sul a 43.
Esse levantamento não confirma o que a tabulação da Simonsen Associados fez para a revista ''Amanhã'', por dois anos consecutivos, sugerindo que o Paraná teria passado os gaúchos no ''ranking'' da renda interna. O Rio Grande do Sul detém 7,8% da participação contra 6,1% do Paraná em 2001. São metodologias distintas e se a primeira informação não convencia, essa, do IBGE, parece bem distante da realidade ante as modificações ocorridas na estrutura produtiva.
Admitamos, porém, que esse levantamento esteja correto e verificaremos que em PIB per capita o Paraná é o sexto do Brasil, perdendo feio de Santa Catarina. Esta aparece com R$ 8.541 e o nosso com R$ 7.511. Como perdemos nos índices sociais, como se sabe, percebe-se que a justiça distributiva do PIB coloca os nossos vizinhos numa situação de privilégio. Em muitos aspectos os catarinas nos superam por seu modelo de desenvolvimento e nucleação urbana, harmonia na dispersão das indústrias, enfim mais equilíbrio.
Esclareça-se que o levantamento da revista gaúcha ''Amanhã'' abrange os anos de 2002 e 2003 que constatou a ultrapassagem, que vinha sendo enunciada no governo Lerner e, seguidamente, pelo secretário Miguel Salomão, que ocupou as pastas da Fazenda e do Planejamento.
A maior renda per capita do Brasil não é em São Paulo e sim em Brasília em função do centro político-administrativo. É de R$ 15.725 contra R$ 10.642 de São Paulo, R$ 10.160 do Rio de Janeiro e R$ 9.129 do Rio Grande do Sul. A média nacional é de R$ 6.954, o que desde logo indica que a descentralização deve ser ainda mais estimulada para o bem do conjunto.
BIZARRICE O fundamentalismo no governo Requião lembra o dos xiitas. Percebendo a derrota inevitável que terá em causas como a dos transgênicos busca, no desespero, transformá-las em ''cruzadas'' nacionais. A edição de uma revista (pelo Diretório Municipal do PMDB), de bom gabarito, buscando fazer da guerra ao bingo uma ''causa santa'' é uma dessas evidências. Depois de lê-la, repetindo o chavão de que o jogo acoberta a lavagem de dinheiro e interesses da máfia internacional, Lula, que vai reabrir o bingo, ficará para os peemedebistas, os mesmos da Ferrovila e da invasão das praças de pedágio, como um associado indireto de Don Corleone.
AXIOMA Nesse quadro de fanatismo explícito não há lugar para a contenção e quanto maior o gesto temerário mais o agente se habilita a ser um herói ou mártir da causa. A censura do TRF ao secretário de Segurança, Delazari, se transforma em troféu de guerra.
GLOSA A prefeitura de Curitiba se mostrou contaminada pelo estilo Requião ao patrocinar a batalha dos bingos. E quem está se promovendo com isso, podendo até aparecer na listagem de candidatos a prefeito, é o vereador Fábio Camargo, mais fotogrado nesses entreveros de ontem e anteontem do que a Gisele Bundchen nas passarelas, inclusive peitando PMs e dando palavras de ordem. Ganha fácil do Doático Santos nessas artes.

mockup