O futuro imediato

Não parece nada satisfatório o futuro imediato do governador Requião. A mais traumática das derrotas, embora esperada por quem tenha um mínimo de saber jurídico, foi a da decisão do STF, unânime, contra a lei dos transgênicos. E outras, ao que tudo indica, virão em série, inclusive a que buscará derrubar a lei que alterou a exclusividade do Banco Itáu no movimento da grana oficial.
Como internamente o poder do governador é hegemônico, tal qual ocorria com Lerner, inclusive na submissão legislativa, o único meio de restabelecer a ordem institucional violada é o pronunciamento do Judiciário. Nunca tantas instituições e pessoas provocaram a Justiça por causa das ações temerárias do Executivo. Embora ganhando as batalhas políticas quase sempre dos que o enfrentam, no ''front'' judicial há a reversão.
Indispensável que houvesse a consciência de que atos temerários deveriam ser cobrados pela sociedade quando prejudicada em seu patrimônio. Um dispositivo eficiente seria a ação regressiva contra o governante, pessoalmente, por essas distorções. Alvaro Dias teve aquela bronca, por causa de Segredo, com a CR Almeida e o governo teve que fazer acordo de R$ 90 milhões para não levar um tombo maior. A cidadania poderia fazer essa cobrança. Da mesma forma com Lerner, que deu tantos motivos, como com o atual governante.
No primeiro governo Requião houve intervenção federal no Paraná decretada pelo STJ em função da invasão da Fazenda Can Can que se dera em gestões anteriores. Agora o proprietário esbulhado ganhou na Justiça a indenização de quase R$ 90 milhões que todos nós, contribuintes, iremos pagar.
BIZARRICE - Para a humanidade o 11 de setembro, na derrubada das torres gêmeas, foi uma tragédia. O 11 de dezembro, ontem, foi o mesmo para Requião. Mas a coisa é parcial: outras torres (pedágio, bingo, caso Araupel, interdição do porto aos transgênicos, Banco Itaú, mais o modelo energético) podem ruir logo.
AXIOMA - Como o governo não pode atender o Plano de Cargos e Salários da APP-Sindicato (professores), o projeto de aumento para secretários é castigado.
GLOSA - Só falta agora com o veto à verticalização da Copel o governo chegar à conclusão de que Lerner estava certíssimo na idéia do leilão.
EPIGRAMA - Curitiba lembrava o Iraque na porta dos bingos com a polícia embalada para a batalha que não houve. Bem parecida com a de Itararé, anos 30.
ONOMATOPAICA - Bingo, Bingo, Bangue, Bangue.
FOLCLORE - Aumentar salário de funcionário ou de secretário de Estado é clara prerrogativa do Executivo. Intentá-la por via parlamentar é inconstitucional. No governo Munhoz da Rocha, 1952, um deputado apresentou projeto de aumento para o Judiciário e a magistratura em geral e o governador o vetou por ser inconstitucional. O presidente do Tribunal de Justiça era Munhoz de Mello (ex-deputado federal constituinte, mestre de Direito Constitucional) e que colocou as razões corporativas acima do assunto em que era especialista. Detalhe: era primo do governador com quem trombou nesse caso e não tinha razão.
CROMO - De ninfa a crisálida e daí fez-se borboleta e está agora luminosamente espetada num mostruário de veludo. É eterna como a taxidermia, o museu.
AFORÍSTICO - Nunca o funcionalismo estadual teve no governador um Papai Noel como hoje: décimo terceiro e dezembro pagos prematuramente e deixando Cassio Taniguchi para trás como se fosse o Barrichello atrás do Schumacher.

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