Mais trombadas

Ao postar-se na contramão dos rumos do governo federal, o governador Requião vai ter dissabores inevitáveis, embora possa ter alguma reciprocidade em termos de compensação. A autorização para declarar o Paraná como área livre dos transgênicos, se viesse, seria meramente gráfica porque o produto já está em nossa lavoura numa hipótese mínima em 5% e na máxima em 15%. Tecnicamente não há como fazer uma concessão dessas por parte da União por mais forte que fosse a pressão de natureza política e ambiental.
Também na do pedágio dificilmente poderá o governo federal, que tem pretensões de resolver numa sentada os problemas de infra-estrutura (usinas, ferrovias, rodovias, aeroportos, dutos, hidrovias), ligar-se ao modelo que Requião deseja, mesmo que vitorioso, o que é difícil, na demanda judicial. É impossível encarar as necessidades do País por essa via do ''remendão'', de obras apenas de manutenção no sistema pedagiado. O Estado provedor acabou e tentar restaurá-lo na crise atual é impossível, ainda que Lula acene com uma participação de 30% do poder público para baixar o peso das tarifas.
A VOLTA DO BINGO - Outra queda de braço em que a tese do governo federal prevalecerá é a da volta, com pompa e circunstância, dos bingos e também dos cassinos. Já essa pretensão do município de Curitiba de liberar o bingo bate na trave, ainda que eventualmente algum juiz de instância inferior conceda liminar autorizatória.
A campanha institucional, que está na televisão, mostrando os efeitos bons do bingo, apelando até para argumentos sociais, é prova de que há orquestração para o retorno triunfal da batota. E com as bençãos do governo federal.
COPEL DE NOVO - De todos os conflitos, no entanto, há um em que a sociedade paranaense em peso deveria apoiar Requião: a defesa dos direitos históricos da Copel sob ameaça com a formação de um ''pool'' de empresas amortizadas ou por amortizar que é costurado por Dilma Roussef, ministra das Minas e Energia, que já fez o trabalho de ''sapa'' no Senado e na Câmara em favor de Medida Provisória que obrigará a nossa estatal à desverticalização. Com isso toda essa onda que se fez em cima da CPI da Copel terá se revelado inútil e virá a evidência de que o modelo visado teria justificado a orientação de Lerner.
Se não tiver compensações nessas batalhas, pegará mal para o governador ficar respaldando o candidato do PT em Curitiba e ainda o mantendo como o seu líder. Espera-se o chute no pau da barraca e algo que recoloque o Requião beligerante e articulado, aquele que apoiava Lula no PMDB e era um dragão a expelir fogo contra os donos nacionais do partido. Seria uma forma de manter o espírito de resistência. Que no caso da Copel, especialmente, é mais do que necessário.
MOTEJOS - A brincadeira do bolo do pedágio pela oposição anteontem foi replicada ontem por ato de visível mau gosto do situacionismo com coroas mortuárias para homenagear as viúvas do sistema de concessão. Um empate de grosserias, o que prova que, além do exercício da submissão, não há espaço para criatividade no Legislativo. Se a primeira subestima o dispositivo do governo, a segunda passa a desconsiderar a possibilidade de tudo o que foi montado cair na Justiça. É por essas e por outras que a classe política lidera rejeição nas pesquisas.
A continuar assim é melhor botar serragem no palco e trapézios. Curiosamente aconteceu ontem, Dia do Palhaço, que lembra o eleitor sempre enganado. Se a tevê do Legislativo (haja desperdício) estivesse funcionando seria uma graça. Em pouco tempo os atores entrariam em cena com guizos no corpo na opereta bufa.

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