Uma questão de claque

Como é gostoso fazer discurso e ter uma claque de apoio. Normalmente é o que acontece com os políticos que escolhem os lugares e as pessoas certas para suas manifestações. Quem não tem muita noção disso acaba se constrangendo como se deu, ontem, com o vice-governador Orlando Pessuti ao fazer um discurso diante do ministro da Agricultura repetindo a mesma linha de argumentos em torno dos ''transgênicos'' de Requião. Levou a pior, já que a maioria do auditório era constituída de cooperativistas que experimentam o lado mais negativo dessa história de banir a soja geneticamente modificada. Os aplausos massivos à ponderação do ministro é uma resposta fulminante e que terá desdobramentos ainda mais contundentes na hora em que o Ministério negar apoio à demanda paranaense por absolutamente inviável.
O ministro da vez, já anunciado, é dos Transportes. Nesse caso aparentemente Requião está numa ''boa'', quer com o acerto com a ''Caminhos do Paraná'' e a hipótese de mais duas serem atraídas pelo ''pio do macuco'', quer pela decisão do juiz federal de Paranavaí e que o favorece na novela do pedágio. Para o público nenhuma explicação sobre as irregularidades apuradas e que devem ter contribuído e muito para o acordo. Está lá no item ''e'' da Cláusula Primeira do acordo feito: ''correção das irregularidades apontadas no Ofício DG-827, de 21-11-2003, que não tenham sido supridas pela concessionária''.
É que no meio das trocas de farpas entre concessionárias e governo houve mais de uma referência, sem citação das infratoras, de casos irregulares, faturas aparecendo dois anos depois do suposto investimento. Por amor à verdade e até para fazer a anatomia devida do pedágio o governador deveria revelar quais as distorções. Segurá-las não seria uma forma ética de obter a rendição.
Presume-se que o tal Ofício deve ter a força do Santo Ofício e que talvez por suas implicações explique o acordo. O contrato preliminar é assinado por oito pessoas, seis do governo, já que duas testemunhas são oficiais. Um malicioso sugeriria que isso lembra casamento à força de antanho, o xerife como padre.
VINHETA - Requião reclamava e com sobras de razão dos protocolos misteriosos de Lerner, caso das montadoras. Mistério deste governo pode ser o Ofício DG-827. Que poderia ser chamado de ''Protocolos dos Sábios do Requião''.
BIZARRICE - Com a candidatura de Rubens Bueno a prefeito da Capital ninguém garante a vitória do PPS, mas se sabe que haverá mais procura de maçãs porque elas estarão em oferta como nunca nos institucionais.
AXIOMA - Há quem entenda que o único meio de agir contra empreiteiras é o da prensa mesmo. Quando Lerner, para reeleger-se, fez o corte linear de 50% no pedágio elas não chiaram. Esperaram passar a eleição para agir em seguida. Aplicar-se-ia a elas aquilo que o provérbio machista árabe sugere: bater na mulher sempre; você pode não saber porque bate, ela sabe porque apanha...É pior do que pensamento do Élcio Berti. Mas é, na analogia, pertinente.
EPIGRAMA - Cá entre nós o Rafael Greca pode até ser o mais rejeitado, mas, sem dúvida, é um dos que melhor se identifica e fortemente com Curitiba.
FOLCLORE - Quando pobre consegue comprar remédio é porque um dos dois certamente está vencido. É a variação da sentença anterior relativo ao frango a que pobre tinha acesso quando um dos dois estivesse doente. Ou os dois.

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