LUIZ GERALDO MAZZA
O antiparadigma
Apesar da pobreza doutrinal, traduzida em ''slogans'' que sugerem resistência ao neoliberalismo (o que, a rigor, nada significa), o governador do Paraná tenta fazer o anverso de Lula e do seu realismo na quebra de contratos, na luta contra o bingo e na reestatização. Embora esse contraponto possa ter um aspecto positivo em termos de contraditório e diversidade, não é consistente para servir de referencial à União. Esta não dispõe dessa liberdade de movimentos porque, se incidisse em qualquer um desses tópicos, colocaria de forma imediata o risco Brasil nas nuvens com efeitos terríveis internamente.
No caso específico das obras de infra-estrutura, de que o país carece, e irá buscar soluções no ajuste público-privado, mais este do que aquele, pelo fato elementar de que o Estado quebrou e não há grana, as alternativas paranaenses só servem como suporte à desconfiança de que o modelo do pedágio é altamente espoliatório e afeta o custo Brasil. Se a Ecovia está hoje sob gerenciamente da mulinacional italiana Impregillo, sócia antiga, desde o Canal de São Simão para o complexo da Fiat em Betim-Contagem, da CR Almeida, Lula não tocaria nela e simplesmente porque o ato desencadearia efeito devastador em cadeia.
Nem todos sabem que quando o Requião deu aquela mexida no pacto acionário da Sanepar (e que também não teve as consequências anunciadas) a BBC de Londres divulgou várias notas a respeito e detalhando os interesses internacionais do grupo francês Vivendi. Ora a notícia não dava nem o nome da unidade federativa em que tal fato ocorria e simplesmente se referia à região meridional e à estatal de saneamento.
Dentro em pouco teremos a regulamentação do jogo (essa iniciativa de trazê-lo para a órbita municipal soa como provocação) e até a possível liberação dos cassinos, o que se espera desde meados dos anos 40, século passado, mais a definição dos modelos de concessão para estradas e energia e serão inevitáveis os conflitos de concepção entre o estado e a União e neles Requião gastará o seu maior patrimônio, o discurso veemente e a teatralização. No caso do modelo energético Requião obteve apoio considerável com a adesão à tese da ''verticalização'' das estatais de Minas, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
BIZARRICE O prefeito Élcio Berti, de Bocaiúva do Sul, depois de enfrentar um desfile de ''drag-queens'' em sua cidade em protesto contra o decreto que proíbe a permanência de homossexuais, foi ao programa do Ricardo Chab no SBT e protagonista de um diálogo incrível.
Então, prefeito, o senhor é heterosexual radical?
Nada de hetero. Eu sou é homem!
AXIOMA Segundo o deputado Élio Rusch (PFL) o ato sobre o pedágio é puro ilusionismo e prestidigitação: seria como baixar o preço de um sanduíche, tirando o queijo e o presunto e deixando apenas um pouco de margarina.
GLOSA Políticos costumam sempre confundir matemática e matemágica, apesar dos propalados rigores da Lei de Responsabilidade Fiscal.
EPIGRAMA Como se vê pedágio não apenas rima com adágio. É ele próprio. Só que ganhe quem ganhar, Requião ou ABCR, o povo dança e paga a conta.
FOLCLORE No Brasil muitos daqueles que o povo acredita que devessem, por todos os motivos, estar na cadeia acabam, no máximo, numa cadeia de rádio e tevê.
CROMO O cirurgião desliza o bisturi sobre o corpo do paciente como quem separa pétalas e sépalas de uma flor: o sangue substitui a seiva e o orvalho.
AFORÍSTICO Para tirar coelho de cartola não é preciso nem lei, nem decreto.





