LUIZ GERALDO MAZZA
Um elo da corrente
Desde o início das operações relativas ao pedágio, o governo estadual havia conseguido isolar ora uma, ora duas das concessionárias em diálogos visando a baixa das tarifas. Ontem, finalmente, a confirmação: a ''Caminhos do Paraná'' se disporia, nas áreas de sua exploração, baixar em 30% os preços. O governo fez o carnaval e não era para menos, já que se tratava de matéria de honra, objeto de uma retórica veemente e de incidentes administrativos e judiciais.
Em compensação a empreiteira passaria a ter o direito de cobrar o pedágio no trecho entre Araucária e Lapa que construiu há bastante tempo e estava impedida de fazer a respectiva cobrança.
É um elo rompido da corrente, sinal forte para o discurso oficial, mas que não significa a derrota das demais concessionárias. Advogados das pedagiadas se empenhavam em extrair xerox das decisões anteriores na Justiça Federal e cogitavam de provocar o Tribunal Regional de Porto Alegre a manifestar-se, uma vez que há uma espécie de conflito de competência entre varas de Curitiba e de Paranavaí. Estranha-se, também, que o juiz da 3 Vara da Fazenda Federal da Capital, a despeito de declarar-se incompetente para julgar o pedido de tutela antecipada e o encaminhado a Paranavaí, tenha sugerido em seu despacho um ganho de causa, em princípio, à Ecovia. Juristas entendem que a interpretação é, no mínimo, contraditória. Se a incompetência é declarada, não há como entrar no mérito da matéria em exame.
Com o tumulto outra vez estabelecido, e mil vezes mais eficaz do que ameaças e ocupações efetivas das praças de pedágio, pela Polícia Militar ou caminhoneiros e sem-terra, o governo ganha fôlego para o exercício de novas pressões e para dar continuidade à promessa da baixa da tarifa, o que vai depender da Justiça, a não ser que ocorra um acordo, a via mais adequada. O fato de segurar o mais recente aumento numa delas não deixa de ser um ''round'' a favor do Palácio Iguaçu. O que não significa que tenha ganho a guerra, para o que, afinal, todos torcem.
BIZARRICE O pitoresco Élcio Berti, prefeito de Bocaiúva do Sul, extrapolou e baixou decreto preconceituoso contra homossexuais. Já está enquadrado por agressão a princípios constitucionais. Criar factóides não é arte só dele, mas dessa vez perdeu a noção mínima de limites e levou a cidade ao ridículo. A mídia deveria fazer uma espécie de cordão sanitário contra essas bobeiras.
AXIOMA O anúncio do geoprocessamento para as ações da polícia ocorreu um dia após o assalto à agência bancária do Itaú que opera na Junta Comercial. Foi o segundo deste ano. Em 2002 houve também dois. Por aí se vê a quantas anda o problema da segurança, prova de absoluta perplexidade e incompetência.
GLOSA Anuncia-se uma escalada de prisões em cima das CC-5 do Banestado.
EPIGRAMA Nem sempre a luz fraterna é para todos. Inclusive essa mais séria, e tocante, dos festejos natalinos.
FOLCLORE Com a redução dos 30% de uma pedagiada, Requião venceu um round. Mas comemorar, como quem venceu a luta, seria o equivalente ao George Foreman dar pulinhos no fim de um dos rounds, em que levou a melhor ''por pontos'' sobre Mohamad Ali, lá em Kinshaza, para minutos depois ir à lona em nocaute. Ou o coxa festejar, dois minutos antes de encerrar o jogo, aquela ''vitória'' sobre o Fluminense. De qualquer forma a torcida pela vitória do governador é da maioria esmagadora. Torcida já tem, a disposição é de sobra. Só falta ganhar.





