LUIZ GERALDO MAZZA
O ocorrido na madrugada de ontem em Itaperuçu, na Grande Curitiba, um ''isolado'' quase rurbano, de vida pacata, é uma amostragem do Paraná nosso de cada dia, refém da violência. A morte de um comerciante levou a massa a cercar a delegacia de polícia e à ameaça de linchamento. Com apenas dois milicianos e ambos ocupados em preservar a vida dos dois jovens que foram apanhados logo depois do crime, a pequena cidade ficou entregue ao desvario da massa que passou a depredar instalações policiais e a sede da prefeitura com destruição, inclusive, de computadores.
Esse episódio me fez lembrar um outro ocorrido em 1963 em Cornélio Procópio quando a multidão cercou a delegacia pretendendo linchar um estuprador e o capitão Djalma se viu impelido a dissuadir a massa com tiros, o que provocou mortes, incluindo a do deputado Nilson Batista Ribas, fulminado por mal súbito quando se empenhava, como representante do povo, na tarefa impossível de controlar o conflito. A traumática ocorrência foi potencializada por uma rádio que facilitou a criação do clima psicológico adequado à explosão.
Já em Itaperuçu, não habituada a atos de violência, a população estava, de certa forma, excitada com o assassinato, dias antes, de um adolescente. Foi, como disse acertadamente, o capitão Péricles, que comanda a unidade, uma ação de catarse por uma série de circunstâncias ligadas ao apreço que a cidade tinha pela vítima, o acúmulo de tensões provocado pela morte do adolescente anteriormente, causa eficiente de toda a carga psicossocial que até a tarde no sepultamento da vítima era traduzida em manifestações, ainda que sem violência.
De Curitiba, hoje cidade aberta a todo o tipo de criminalidade, passando por Londrina com registros máximos de homicídios em sua história, de Foz do Iguaçu proporcionalmente na relação por 100 mil habitantes/crime a primeira do ''ranking'' do Brasil temos um painel orquestrado pela violência. Os eventos de Itaperuçu se constituem em regra, jamais em exceção.
Há quem pense que ocultando estatísticas mórbidas se devolve à população o sentimento de segurança perdido. Repete-se aquela visão psicologista do governo Lerner que acreditava que era suficiente para melhorar o cenário haver a ''impressão'' de segurança. A PM de hoje tem 5 mil integrantes a menos em seu efetivo do que há duas décadas passadas. Basta ver o crescimento demográfico, em escala quase geométrica ocorrido, e ter-se-á uma noção da gravidade do descompasso entre a estruturação do Estado e a criminalidade.
INTERVENÇÃO - Dezoito entidades, ligadas aos transportes e à exportação, pediram ao Ministério dos Transportes que intervenha no Porto de Paranaguá em função das medidas, confusas e desarticuladas, adotadas em relação à soja transgênica. Há cooperativas que afirmam já ter ocorrido uma perda da ordem de 20% no movimento de cargas naquele terminal. Os bloqueios, enquanto duraram, levaram ao desvio de cargas para os portos de São Paulo, Santa Catarina e também Rio Grande do Sul.
Outra informação vigorante nos meios cooperativos foi a de que em janeiro e fevereiro, por falta do produto no mercado, houve aquisições em quantidade no Paraguai de soja transgênica processada pelas indústrias.
ARAUPEL - O juiz da 3 Vara da Fazenda Federal de Curitiba, Paulo Cristovão de Araujo Silva Filho, intimou no dia 27 o Incra para se manifestar, dentro de 72 horas, em pedido liminar de ação popular do advogado Carlos Antonio Ferreira contra a desapropriação da Araupel.





