Dá impressão de ''armação'' esse último reajuste do pedágio. É inconcebível um aumento de 31% na rodovia litorânea, entregue aos cuidados, da ex-sócia da CR Almeida, da Impregillo, subsidiária da Fiat. Essa circunstância de botar transnacionais na parada, e já há outra, a ligada ao grupo hispânico vinculado ao Terminal de Contêineres, e que explora a área da ''Caminhos do Paraná'', visa acentuar o caráter de medida de ruptura que Lula jamais praticaria por motivos óbvios.
Requião pouco está se importando com reflexos internacionais de medidas que atinjam interesses das múltis. Vide o episódio da Sanepar e o grupo Vivendi. E tanto que contesta termo ativo de contrato em favor do Terminal de Contêineres no Porto de Paranaguá que construiu um cais e para o qual o governo só dispunha de crédito para pagar. Quando Requião esteve na Espanha manteve contacto com o grupo, mas a batalha é sustentada. No caso das rodovias pedagiadas a postura é inalterável.
Toda uma encenação para cobrar os R$ 8 na Ecovia está montada. Desci a serra no domingo e o que havia de máquinas (trabalhos de fresa com a retirada do asfalto e reprocessamento do material, sinalização, recuperação do pavimento, enfim múltiplas ações com todo o caráter de operação concentrada) na BR-277 não estava em gibi nenhum. Um esforço claro para respaldar o aumento da tarifa pela sedução do usuário diante de todo aquele aparato.
Os 31% já de per si se constituem numa agressão. Tem todo o jeito de jogada para negociar a baixa. Mas o governador Requião, depois das expectativas que semeou, de que abaixaria ou extinguiria o pedágio, não tem o direito de fazer negociações em cima de um absurdo. De que valeria, por exemplo, e isso é posto apenas como hipótese de trabalho, que o governo derrubasse o reajuste pedido e deixasse tudo como está. Só os seguidores de Requião, especialmente os que têm postos no governo, se conformariam.
É decepcionante que mantendo uma batalha verbal de 12 meses e com a devassa há mais de três meses na contabilidade das delegadas, o governo não tenha um argumento para fulminar essa pretensão judicialmente. Ações administrativas, por mais fortes que sejam, se mostram insuficientes e acabam drenando para a esfera judicial. Se Requião perder essa, como estamos no tempo das metáforas, e o indutor é o presidente Lula, as pedagiadas poderão dizer do governador o que Mao Tse Tung falou do capitalismo: não passaria de um tigre de papelão.

DISPUTA - Nas entrelinhas do noticiário especulativo sugere-se que o Luis Mussi estaria em ''dividida'' com o sogro, Paulo Pimentel. Como o Mussi também é empresário de comunicação tenta-se criar a idéia de que estaria disposto a montar um complexo paralelo. Insinua-se também que a derrubada do pessoal da Fundação da Copel teria sido uma vitória do Paulo contra o genro.
Esse tipo de ''racha'' nem sempre é saudável: o Pedro Collor não denunciaria o irmão presidente, Fernando, se não entendesse que ele e o PC estariam bolando um poder paralelo. Para quem gosta de administrar no conflito se essa guerra paranaense existir é um prato cheio para fins exploratórios.

FOLCLORE - Sobre genros e filhos diz-se que no encontro do cursilho em que Ney Braga se abraçou com Lupion (atendera um neto do adversário em acidente), Moysés teria lembrado que a carreira de um político muda de rumo quando filhos crescem e surgem noras e genros. E dá-lhe provisão de emprego e espaço político. Essa é da mitologia política da terra. Ninguém sabe se veraz.

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