Termina em pizza?

Das cinco comissões parlamentares de inquérito, instauradas no ciclo Requião, apenas duas tiveram expressão junto aos holofotes da mídia e por tratarem de temas mais abrasivos: as do Banestado, especialmente depois que se revelou a lavanderia da agência de Nova York e das Ilhas Cayman, e Copel, esta centrada num foco menor, ainda que relevante, o das negociações com créditos de ICMS.
Elas estão chegando ao fim e tentam, ao menos por alguns dos seus integrantes, derrubar o conceito de que todas terminam em pizza como tem acontecido.

Já ontem a morbidez ganhou exacerbação máxima com os rituais da exumação do corpo do ex-dirigente da Banestado Leasing e promovido, mesmo depois das denúncias de irregularidades a secretário de Esporte e Turismo, Osvaldo Magalhães dos Santos. Tantas foram as precariedades reveladas por parte das autoridades na identificação da vítima do acidente em Palmeira que ficou inevitável o pleito da exumação como imposição pericial, é claro que também alimentada por presunções de caráter sherlockiano e político.

AUTOCRÍTICA Pode ser até que as CPIs não cheguem a resultados satisfatórios, mas tanto no caso do Banestado como no da Copel houve revelações contundentes. Só que os deputados não se mostram dispostos a cortar na própria carne como, de certa forma, até o Judiciário está fazendo: se quiserem investigar descobrirão que não poucos parlamentares foram clientes em operações ruinosas e ainda que é indispensável saber a razão pela qual, na legislatura passada, criaram num dia a CPI para apurar a venda de 45% das ações do Sercomtel para a Copel e no outro trataram de extinguí-la com a máxima frieza.

A impressão que fica é a de que só um governo forte como o de Requião cria essa possibilidade, embora muitas dessas irregularidades tivessem chegado ao conhecimento público (a própria gestão Lerner detectou as patologias da Leasing) e levado o Ministério Público, tanto o federal como o estadual, a fazer a denúncia-crime. O Brasil fez um presidente renunciar e depois repetiu a lição nos anões do orçamento e nos senadores da manipulação do painel eletrônico e isso é revelação suficiente para mostrar que mesmo em situação de minoria parlamentar se pode chegar à punição de culpados, ainda que se limite à sanção de caráter político nos casos referidos.

BALANÇO A CPI nacional e mista do Banestado, até pela abrangência de sua atuação, mostrou-se, em reflexos regionais, bem mais aguçada do que aquela do narcotráfico e que, apesar dos depoimentos de encapuzados e das prisões, deu pouco resultado. Mas é preciso levar em conta que até o FBI andou operando nas investigações que se dependessem das abordagens locais jamais chegariam à abundância de detalhes das transações nas contas CC-5. A da Copel poderia ter funcionado como respaldo político das rescisões das dezenas de parcerias que afinal seguiam simplesmente o ''modelo energético'' nacional e que deu com os burros n'água com o apagão e falhas nos processos de privatização como o da Eletropaulo.

Como essas pendências serão decididas no Judiciário não se pode prever se o governo estadual teria vencido a batalha. Ele tem dificuldade para defender a tese da verticalização da estatal à qual o Ministério de Minas e Energia se opõe enfaticamente. Todavia o governador paranaense já conseguiu apoio à sua posição pelas estatais de Minas, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o que não é pouco e pode preservar interesses da Copel. Esta, por sinal, fecha o exercício com lucro próximo de R$ 300 milhões, ainda que no terceiro trimestre tenha registrado um prejuízo de R$ 5,8 milhões.

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