LUIZ GERALDO MAZZA
Haja ira governamental
Dizem que quando Requião soube que a Fundação Copel tinha investimentos em áreas exploradas justamente por empresas do pedágio quase entrou em parafuso. É que a divulgação do episódio provocou funda irritação num momento delicado quando se pretende contestar o reajuste pleiteado de mais 17% nas tarifas para vigorar ainda em dezembro, tempo de descida às praias. A revolta cresce em tempo de cuca fresca.
Ocorre que as fundações precisam investir bem os seus recursos. Elas como os fundos de pensão, hoje melhor controlados, pois os governos e as entidades já não podem fazer o assistencialismo do passado (para cada um de contribuição do associado, três da estatal; hoje é um por um), e precisam ter operadores que adotem cautelas técnicas que garantam o retorno.
A Triunfo Participações vendeu R$ 32 milhões em debêntures para a Fundação Copel, a rigor controlada obviamente pela estatal e que tem um Conselho Consultivo, este sim eleito pelos funcionários segurados. E ela detém sociedade em comum com a própria Copel numa usina e várias associações no sistema pedagiado local (também no Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro) e nacional. Afinal uma operação capitalista como outra qualquer, mas como o governador insiste em ver nas estatais as derradeiras Copel e Sanepar como instituições fora da malícia do mercado e das bolsas, há de aborrecer-se e muito pelo fato de o fundo de pensão copeliano praticar tal pecado, talvez merecedor do fogo depurador do Santo Ofício.
VINHETA Entre a ira governamental e a Ira de Furstemberg a escolha é fácil.
BIZARRICE A missão do Legislativo, o estadual, é a submissão. Dá para ver no fanatismo com que se entregou ao governo atual. Tal qual como o anterior. Só que no outro tirava vantagens e punha o governador na parede.
AXIOMA Vem aí a imprensa nacional novamente para criticar nossas anomalias. É uma forma de despistar o cerco que fazem ao governo por um Proer da mídia. As matérias sem caracterização publicitária também beneficiavam grandes jornais.
GLOSA Há duas décadas a PM tinha efetivo superior a 20 mil homens. Hoje mal chega a 17 mil, enquanto a violência cresceu em progressão geométrica.
EPIGRAMA Parreira disse que quando o escrete fizesse a 12 partida estaria com a cara dele: já está. O Pinheirão continua com a cara dos dirigentes da FPF.
MUTANTE Até a Caixa Econômica Federal, tida como banco social, bateu recorde de lucro (R$ 1,35 bilhão) no governo Lula. Enquanto isso os velhinhos sofriam nas filas previdenciárias e aumentava em 50% a mão de obra infantil no Brasil.
FOLCLORE Só falta agora alguém provar que a mortandade de peixes nas baías de Paranaguá e Antonina resulta de grãos transgênicos de soja levados ao mar.
CROMO Nos seixos rolados o nomadismo pétreo moldado pelas águas. Bem diversa da pedra-espanto de Drummond, aquela sempre no caminho, ela nos desafia a desvendar enimas de musgo e plancton.
AFORÍSTICO Segundo o dirigente da Funai invadida a instituição está pior do que os índios: recebeu R$ 100 mil em 2002 e, neste ano, apenas R$ 20 mil para os diversos programas da organização.





