O choque do passado

É celebre a obra de Alvim Tofler que iniciou a série sobre ''terceira onda'' denominada ''O Choque do Futuro''. No Brasil estamos a um só tempo com essa expressão de modernidade, visível em numerosos avanços como os da tecnologia aplicada ao agronegócio e da manipulação de embriões incluindo a clonagem animal pela Embrapa, e a perspectiva do atraso, traduzida nas invasões de terras como processo de redução da desigualdade.
Nessa tensão dialética, capitalismo-tecnologia oposto a formas rudimentares de organização (precede a própria escala familiar, esta ao menos articulada para a produção e não voltada para proselitismo político-ideológico), temos a visão da Belíndia de que falou Edmar Bacha, muito mais Índia que Bélgica. Da mesma forma que é possível, mesmo num sistema capitalista, a coexistência da pequena escala com a grande, também seria desejável a metabolização desse conflito entre pólos diferenciados.
Não há uma pessoa com um mínimo de bom senso que deixe de reconhecer tanto a validade como a legitimidade do MST como forma de pressão para obter acesso à terra num campo que já perdeu o bonde da história, o da reforma agrária. Mas ninguém até hoje demonstrou o retorno em termos econômicos e de racionalidade dessa gincana. É o que caberia ao Estado, que afinal subsidia tudo isso a custos astronômicos (uma família assentada só na questão do custo da terra, fora instalações e assistência, chega a R$ 40 mil e nesse caso da Araupel estima-se que se aproximaria de R$ 100 mil), fazer uma avaliação desse processo todo.
Um país com recursos escassos, monitorado por uma Dívida Externa que o transforma em refém, precisa, ainda mais no alegado investimento social, que tenta reduzir o fosso entre classes, considerar que os mais de R$ 20 bilhões já aplicados no que chamam de reforma agrária não trouxe retorno compatível e, ainda por cima, apenas aqueceu o clima de confronto. E isso sem considerar o fato de que mais de 30% das áreas de assentamento são vendidas e sem levar em conta os índices assustadores de evasão. Por essa razão é que se vê com muita cautela e até ceticismo o anunciado modelo de reforma agrária da Araupel, que custa uma Babilônia (R$ 70 milhões em grana viva e mais outro tanto em TDA) para abrigar cerca de 2 mil famílias em seis mil hectares.
GRAFITOS - Os primeiros grafitos de minha juventude eram feitos nos WCs, em especial os do Ginásio (Gimnasium) Paranaense. Um deles assim: ''Neste lugar solitário// onde a vergonha se acaba// todo covarde faz força// e todo valente se .aga''. Havia um outro ''Essa privada das outras é diferente// em vez de a gente ..... nela é ela que .... na gente.'' Muita gente lembrou, anteontem, na reinauguração do Pinheirão, no jogo Brasil x Uruguai, desses grafitos quando tomou um ''banho'' inesperado de líquidos sanitários com o estouro do encanamento num setor do estádio. Se esse é o primeiro que se enquadra nos rigores do Estatuto do Torcedor imagine-se o que haverá nos demais.
PROPAGANDA - Novas impugnações ao resultado da licitação da propaganda oficial serão inevitáveis. Há quem ache existir método nessa maluquice, o que parece visão conspiratória do mundo. A mídia sem ração pode perder a razão?
O PASSADO - Relações do primeiro governo Requião com a mídia (absolutamente igual a todos os outros) vão ser reveladas em reportagens documentais por um jornal de circulação nacional. Mais um ''show'' de hipocrisia, já que todos faturavam textos sem caracterização publicitária, velha praxe da praça.

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