Falta de conteúdo

Alvaro Dias (que garantiu a eleição de Requião em 1990 ao manter-se no posto no Palácio Iguaçu e, em consequência, ficando sem mandato) bateu forte e o time chapa branca registrou o golpe. Não foi a nocaute e nem ficou em ''clinch'' e veio o repique. Nele se referiu à ''nova plumagem'' do senador.
Ontem a sessão de verrinas continuou: fazendo uso do humor corrosivo, Requião disse que Alvaro esticou tanto a pele que quando fala pisca e quando fecha os olhos abre a boca. Parece incrível que em 1985 tanto Richa quanto Alvaro Dias garantiram a vitória de Requião para prefeito. Em 90, Alvaro garantiu Requião e quase ''dançou'' na vigarice eleitoral do processo ''Ferreirinha'' por um ato claro de prevaricação: o de manter o falso pistoleiro não à polícia, mas sim ao comitê do PMDB para a montagem da farsa.
Depois, Requião, para eleger-se senador e evitar desgaste de bater em Lerner, abandonou Alvaro que era da sua aliança partidária. No pleito subsequente, Alvaro fez o acordo branco para garantir-se no Senado isolando Requião. E assim por diante se tem uma amostragem do asco provocado pela política. Uma promoção de vendas em massa de Engov.
Foi por isso mesmo que os dois levados ao segundo turno de 2002 tiveram menos de 45% dos votos válidos numa das mais baixas concentrações dentre as principais disputas havidas no País. A maioria os repeliu ao contrário do que se dava no Rio Grande do Sul, São Paulo, Santa Catarina, Rio, Minas, etc.
A troca de motejos, que mal disfarçam ressentimento, revela além de falta de espírito a inexistência de conteúdo em ações e palavras. Causa da debacle.
BIZARRICE - De bravata em bravata, o que resta é a baba na gravata.
AXIOMA - A cidade era famosa pelo número de ''gays''. Até que um urbanista tomou a providência de enchê-la de viadutos. Tinha-os mais do que viados. Curitiba não serve de referencial, pois quase não tem viadutos.
GLOSA - Requião tem posição pró-oficialização dos cartórios e a favor ainda da exigência de concursos nos privados. É um bom jogo de braço de ferro, ainda mais depois que a boa causa perdeu o desembargador Octávio Valeixo. Espera-se que a OAB, que tem eleição hoje, cumpra o seu dever na batalha.
EPIGRAMA - Dalton Trevisan, num dos seus textos sobre o Juízo Final, imagina os notários vomitando selos. E os cartórios eram uma fonte de inspiração dos seus contos, especialmente os relativos às desavenças conjugais.
FOLCLORE - Tudo bem, Ronaldo, você não é e nem está gordo. Por favor tire agora uma foto junto com seus fãs da ''Fat Family''.
VINHETA - Aquele papai oposicionista, atingido pela crise e o desemprego, disse carinhosamente ao filho: ''Este ano Papai Noel não vem por causa da falta de segurança''. E não morava no Cajuru.
CROMO - Moratória poética é essa das flores do ipê amarelo ainda faiscando. Muito mais concreta do que a sempre anunciada, e igualmente postergada, para a Dívida Externa.
AFORÍSTICO - Saiu o primeiro número da versão impressa (semanal) de ''Documento Reservado'' do Pedrinho Ribeiro. No meio dos textos uma pergunta: ''Dr. Eduardo acabou mesmo o tráfego de dragas para o Porto de Paranaguá?''

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