LUIZ GERALDO MAZZA
À cata de descuidos
O coordenador da auditagem nas contas das pedagiadas, Pedro Henrique Xavier, deu duas informações novas ontem na CBN-Curitiba: a de que o percentual médio de reajuste pretendido é de 15% e que o governo detém um levantamento denso das quebras de contrato por parte das consorciadas como o de não fornecer, em tempo hábil, notas fiscais comprobatórias de investimentos e que só foram aparecer, dois anos depois, na contabilidade. Em cima dessas minúcias vão engessar o processo de reajuste para dezembro, enquanto identificam novas irregularidades desde o início da concessão.
É um caminho mais racional do que as selvagerias habituais de invadir as praças do pedágio por alguns caminhoneiros e a massa do MST, com o que fica o governo mais comprometido ainda em possíveis cobranças de reciprocidade na hora em que tiver que promover despejos judiciais. Só que o ritmo oficial é um contraponto em relação ao emocionalismo e a politização que promete, desde a eleição, a baixa ou o fim do pedágio para logo.
Urge também apreciar, com paciência beneditina, cada um desses pontos que indicariam desrespeito contratual para que não haja açodamento como aquele praticado pela ABCR quando desrespeitou cláusula de confidencialidade ao fazer a divulgação do laudo da FGV a respeito da indenização de R$ 4 bilhões a que estaria sujeito o Estado pela encampação. Especialistas em ciências atuariais e econometria poderiam facilmente detectar tais anomalias, o que exige alta concentração e cautela redobrada. Menos discurso e mais investigação.
Cobrar pela ida e volta a Paranaguá cerca de R$ 7 é um assalto e, de certa forma, justificou a resistência do pessoal do turismo litorâneo que tentou fazer o bloqueio da praça de pedágio para distribuir volantes e que foi rechaçado na Justiça pelas consorciadas. Na verdade a forma ''política'' de protestar é inócua, posto que demagógica. Não venham empresários e governo transformar o pedágio no culpado da incúria que faz do nosso litoral, sua hotelaria, seus empreendimentos, naquilo que tanto envergonha o Paraná. Nossas praias são uma calamidade se postas em confronto com as catarinenses. Vide o número de apartamentos e casas à venda, sinal de desolação.
EXCLUSIVIDADE - O Legislativo examinava ontem a derrubada da exclusividade das contas públicas pelo Banco Itaú. Muito parecida com a aparentemente forte medida da encampação do pedágio, praticamente inócua. O governo Requião está retirando algumas contas, como se deu com as do Porto de Paranaguá. Enquanto mexer na gordura, o Itaú não reage; quando chegar no filé, haverá estrilo.
É mais uma tentativa de ruptura contratual em função da prorrogação por mais cinco anos firmada por Lerner na manutenção das contas. Legítima a pressão, mas impróprios os meios. Outra coisa: não dá para imaginar órgãos como Caixa Econômica e Banco do Brasil fazendo esse papel. Não têm versatilidade, punch e dinâmica para suprir essa função. Aí como no pedágio o acordo é o caminho. Que tal cobrar um ''pedágio'' por essa concessão?
AFORÍSTICO - Se cada macaco deve ficar em seu galho, o técnico Parreira pode exercer os mistérios da pintura sem incidir naquela sentença de que não deve o sapateiro ir além das chuteiras?
VINHETA - O ideal da lucidez seria ter mais pastores do que rebanho.
SCAPS - Quando há mais canalhas do que canários que fazer com a fauna?





