LUIZ GERALDO MAZZA
Puxando o revólver
O gênio do ''marketing'' ideológico do Terceiro Reich, Joseph Goebbels, tascou uma frase, até hoje rememorada, sobre cultura: ''Quando me falam nela tenho ímpetos de puxar o revólver''. Ora ninguém mexeu mais com os aspectos mais perniciosos da manipulação da alma e do coração, operando no psicossocial, do que ele, o dono da bola e da tese de que a mentira repetida se metaformoseia em verdade. Talvez esteja o fundamento na publicidade da reprodução frenética de mensagens em favor de um produto e de um hábito. Experimenta, experimenta!
Ideal, segundo os democratas e socialistas mais puros, seria uma espécie de Estado leigo quer diante da religião, da educação ou da cultura. Há quem não aceite em ordens efetivamente democráticas a idéia de ministérios e pastas da cultura, normalmente núcleos de manipulação. Pois, curiosamente, no Brasil, o primeiro ministro da Cultura foi um homem de esquerda, Celso Furtado, um dos mais lúcidos de todos os tempos, na gestão do ''imortal'' José Sarney.
Essas reflexões ocorrem a propósito das observações da sessão de ontem da ''escolinha'' no Museu Oscar Niemeyer. Justificando medidas que tomou na Rádio e na TV Educativa, nunca tão colocadas a serviço de proselitismo pessoal e de caráter político, o governador provou que não é do ramo ao afirmar que tirou da programação o teatro lírico, a ópera, embora mantendo a opereta bufa das manifestações populistas, a três por dois, de supostos esquerdistas e membros do MST. Como se não bastasse houve ainda, no psicodrama, a autocrítica da Berenice Mendes sobre desídias e atos incompetentes na emissora estatal.
E é claro tivemos ainda o anátema do próprio governador contra as centenas de nomeações feitas naqueles órgãos sem observância da lei que obriga o concurso público. Observação, convenhamos tardia, porque já estamos no limiar do 12º mês de governo e isso deveria ter sido detectado com antecedência. Como foi rapidíssimo para rescindir contratos, muitos dos quais pode perder na hora em que a Justiça se pronunciar, era de esperar-se que o fosse muito mais em casos desse tipo.
Qual o diferencial de uma tevê pública sobre aquelas com as quais concorre no campo da emissão aberta? Justamente a de ser alternativa para preencher a satisfação, inclusive, de públicos sofisticados. Aliás relativamente à ópera há um equívoco de que se trate de expressão sofisticada. Ao revés tem um caráter essencialmente popular, melodramático, em quase todas. Uma tevê oficial pode ser vista, sem exagero, até como expressão ''underground'', o que não lhe retiraria o sentido de oposta à mediocridade da programação comercial.
O BLEFE - Tanto o governo quanto as concessionárias blefam no pedágio: nem elas estão com a bola cheia que expressam e nem o governo detém elementos sólidos de contestação. Juridicamente está perdendo e politicamente mantém apenas um clima de novela interminável e nada mais. Nenhum dos dois lados se dispõe a negociar: o governo porque prefere o clima de expectiva e da pressão e as consorciadas apelando para a ignorância como quando publicaram o laudo da FGV, Fundação Getúlio Vargas, que era protegido por cláusula de confidencialidade, unilateralmente rompida pelo açodamento do dirigente da ABCR. Se o fez é porque não tinha tanta convicção do material de que dispunha como forma de fazer acuar o ímpeto do governador em cima da encampação. Revelou ''paura'' e colocou em má situação a equipe de advogados que contratou.
FOLCLORE - Se ópera não pega bem numa tevê educativa, dá para imaginar a espécie de reação que viria, por parte do governador, num auto de mímica a cargo da nossa Marcel Marceaux de saias, a iratiense e universal Denise Stocklos.





