LUIZ GERALDO MAZZA
O blefe crônico
Criou-se uma expectativa hitchcokiana para as urnas do PMDB municipal. E procedida a abertura percebeu-se que o grupo dominante, e sobretudo, como é da essência do estilo, barulhento, não era a Brastemp que alegava. Venceu, sim, mas não pelos imaginários 70% calculados pelo espadachim Doático Santos, mais devoto do que de votos, já que só exerceu um mandato de vereador na Capital na condição de suplente convocado.
Não foi uma ''lavada'', nem pela distância numérica e muito menos como um saneamento interno. O PMDB tinha mais de 20 mil filiados e hoje tem um quarto disso. Prova de que murchou, ao longo do tempo, como maracujá de gaveta e isso estando no poder. Como as duas chapas louvavam Requião não deve haver sequelas graves, a não ser que as forças oposicionistas tentem aprofundar o divisor de águas na aproximação de Gustavo Fruet, melhor parlamentar do Paraná, mas sem ''punch'' para esse tipo de emulação.
Já a disputa no PT pode representar ganho em maturidade. Rosinha vai à luta, mas sem aquela aura de radical que compunha bem com seu aspecto de mujique e de Antonio Conselheiro em disponibilidade. Nas votações das reformas saiu do lado extremo, desgastou-se e é possível que no confronto com Ângelo Vanhoni tente recuperar seu patrimônio eleitoral, inclusive com elegância na provável derrota, o que é um avanço em relação ao ocorrido no PMDB. Com o pragmatismo permeando o comportamento petista, em escala nacional especialmente, não há risco de trauma, ainda que haja disputa acirrada.
Com a bola cheia, Vanhoni não se deixa envolver pela soberba e sabe que se até a eleição o petismo não estiver em alta, o PMDB pode buscar claramente outra alternativa. Apesar de quase ter ganho a última eleição de Cassio, ele não subestima a imagem do lernerismo, sua mitificação e o vigor das raízes que a liderança dinástica deixou na Capital e entende que é preciso agir sem perda de concentração que muitos acusam ter ocorrido naquele segundo turno.
BIZARRICE - Lula viajou mais do que FHC. Num ano terá permanecido 154 dias em Brasília e 211 fora dela. Outra coisa: seu governo despende 50% mais do que seu antecessor com gabinete. E muito mais aí do que na reforma agrária.
AXIOMA - Tudo muda de escala. De repente não se fala mais em ''caixa'' eleitoral e sim em silo ou contêiner.
GLOSA - Para evitar uma briga parecida com a dos transgênicos no Paraná a Medida Provisória que regulará o bingo pode deferir competência aos estados. E aí quem quisesse jogar iria até Garuva e Mafra.
EPIGRAMA - Bumerangue: da mesma forma que o problema dos R$ 300 milhões das indenizações trabalhistas no Porto de Paranaguá do primeiro governo Requião retornou à ordem do dia estamos agora às voltas com o caso das almôndegas. Um vai e volta que lembra até o abre e fecha dos bingos.
FOLCLORE - Com a morte da arquiteta, supostamente com origem em picada da aranha marrom, uma paranóia tomou conta de Curitiba a tal ponto que as linhas de fone do Centro de Informações Toxicológicas estavam todas saturadas para angustiados pedidos de orientação. Ora a aranha marrom, perto da teia complexa da nossa falta de segurança, é de uma primária singeleza.





