LUIZ GERALDO MAZZA
Fala, faz e sustenta
Lembro de um dos ''teasers'' de Requião, quando no primeiro governo e que justamente exaltava o seu proverbial voluntarismo: ''fala, faz e sustenta''.
Nem sempre o que fala consegue fazer e consequentemente não tem como obter a sustentação. Não se deu por derrotado, pelo menos não o admitiu, na questão do pedágio, mas a essa altura já sabe que as perspectivas são sombrias, o que não o impediu de desafiar, outra vez, as concessionárias, afirmando não permitir, sob hipótese alguma, o reajuste anunciado para dezembro.
Quando prefeito de Curitiba, ao adquirir os primeiros oitenta ônibus da frota pública, sugeriu que o sistema se basearia no patrimônio público entregue à operação privada. Ora o total ultrapassava, já aquele tempo, mil unidades e ficamos a assistir os veículos com o registro ''propriedade do povo'' em absoluta minoria, de qualquer forma, porém, expressando o ''desejável'' e que jamais aconteceria. É como se dá agora com o leitinho das crianças: como não dá para um atendimento universal, como era a promessa de campanha, busca-se as cidades de IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, mais baixos e aos poucos, de forma gradativa, se vai atendendo uma ou outra comunidade. Enfim o macete bem manjado da propaganda de confundir a árvore com a floresta como Lerner fazia com a afirmação de que tirara 70 mil crianças das ruas.
O voluntarismo é o estilo do governador, o que assenta muito bem em quem, como ele, pratica tanto o culto da personalidade. Seus seguidores fazem o possível e o impossível para viabilizar suas propostas e idéias, quase sempre distantes da realidade palpável. É o que se dá, neste momento, com o propalado assentamento modelo de reforma agrária na Fazenda Araupel. Cria-se um clima de certeza, de exatidão, em torno de algo destituído de fundamento: não há como transformar 8 mil hectares de terra, de um total de 25 mil, em meio de sobrevivência de 2 mil famílias. O custo é elevadíssimo e teríamos algo em torno de R$ 120 mil por família assentada. Antieconomia radical.
Assim também é a corrida para transformar em realidade o caso dos produtos transgênicos, o filme pastelão em torno dos bingos e essa batalha já perdida (infelizmente para o povo) do pedágio. Se conseguir segurar o aumento de dezembro sugerirá que teria ganho essa batalha, o que é meia verdade, mas será intensamente glorificada pelos correligionários.
BIZARRICE A idéia do secretário Delazari, transmitida à Câmara Municipal, de cassar alvarás de ex-presidiários é absolutamente ilegal. Fere o princípio da anterioridade legal (não há crime sem lei anterior que o defina e nem pena sem prévia cominação legal), o âmbito municipal não é competente e estabelece uma sanção inexistente nos códigos e que equivaleria a uma pena acessória.
AXIOMA Mais uma vez o Gionédis fintou a CPI do Banestado. Se o coxa tivesse alguém para dar tantos dribles como ele o time estaria numa melhor.
GLOSA Stephanes disse que era favor da federalização do Banestado e também, na hipótese do leilão, que ele ficasse para depois daquele do Banespa. É o caso de uma acareação geral entre os dois e o próprio Jaime Lerner. Era mais fácil saber do afano da Leasing do que dessa divergência doutrinária.





